Deputado federal é alvo de investigação que apura suspeitas de tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro; Polícia Federal afirma não haver indícios de participação de ministros nos crimes investigados.
A Polícia Federal investiga o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) sob suspeita de integrar uma estrutura que negociava pagamentos de valores expressivos com a promessa de influenciar processos em tramitação nos tribunais superiores.
O caso ganhou novos contornos nesta segunda-feira (14), depois que o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo da decisão que autorizou buscas contra o parlamentar.
A investigação apura possíveis crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Nesta segunda-feira, a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.
O que a Polícia Federal investiga
Segundo a investigação, integrantes do grupo teriam negociado com terceiros pagamentos condicionados ao resultado de processos judiciais.
A suspeita é de que o grupo apresentava a terceiros a possibilidade de acesso e influência sobre integrantes de tribunais superiores como forma de justificar a cobrança de valores.
Na decisão divulgada nesta segunda, Flávio Dino apontou indícios de que Cezinha utilizaria a posição de parlamentar para transmitir a percepção de possuir influência sobre magistrados.
O ponto é importante: a investigação não significa que essa influência tenha efetivamente produzido decisões favoráveis nem que os magistrados citados tenham participado de alguma irregularidade.
Mensagens mencionam ministros do STF
Mensagens obtidas pela Polícia Federal e reproduzidas na decisão judicial fazem referência a contatos de Cezinha de Madureira com ministros de tribunais superiores.
Entre os nomes mencionados estão os ministros Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes, do STF. A investigação também cita articulações relacionadas a processos em outras cortes superiores.
Em um dos episódios investigados, Cezinha teria relatado interlocução com Nunes Marques sobre processo que estava em tramitação no Supremo. A apuração examina se a atuação do parlamentar teria ultrapassado o encaminhamento legítimo de informações e memoriais processuais.
Ministros não são investigados
Essa é uma distinção fundamental.
Os ministros mencionados não são alvos da investigação.
A Polícia Federal informou que, até o momento, não há elementos indicando participação de integrantes do Poder Judiciário nos crimes investigados. A decisão de Flávio Dino também ressalta que a simples existência de contatos entre parlamentares, advogados e magistrados não caracteriza, por si só, atividade criminosa.
Isso significa que as suspeitas atualmente estão concentradas na eventual utilização do acesso — real ou alegado — aos magistrados como instrumento para obtenção de vantagens financeiras.
Contratos milionários estão sob análise
A investigação também analisa pagamentos e contratos relacionados às supostas tentativas de interferência em processos.
Em um dos casos revelados nesta segunda-feira, o grupo teria negociado R$ 2 milhões em honorários em uma atuação relacionada a processo que estava sob responsabilidade de Nunes Marques.
A PF busca determinar se esses valores correspondiam a serviços advocatícios legítimos ou se estavam associados à promessa de influência sobre decisões judiciais.
A apuração ainda está em andamento e não existe conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal dos investigados.
R$ 510 mil haviam sido apreendidos
Outro elemento da investigação envolve a advogada Valéria Rodrigues Linhares, mulher de Cezinha de Madureira.
Em uma etapa anterior das apurações, policiais apreenderam aproximadamente R$ 510 mil em espécie com Valéria no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A origem e eventual relação do dinheiro com os fatos investigados estão sendo apuradas.
As buscas desta segunda-feira fazem parte da terceira fase da Operação Transparência, investigação iniciada em dezembro de 2025 a partir de suspeitas relacionadas à destinação de emendas parlamentares.
O que diz Cezinha de Madureira
A defesa do deputado afirma que ele está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e nega a prática de irregularidades.
Em manifestação divulgada após a operação, Cezinha afirmou confiar que o acesso integral da defesa ao processo e o exercício do contraditório permitirão esclarecer os fatos.
A defesa também questionou o momento da realização das buscas, argumentando que medidas dessa repercussão deveriam ocorrer distantes de circunstâncias políticas ou eleitorais.
O que acontece agora?
A Polícia Federal deverá analisar os materiais apreendidos durante as buscas realizadas nesta segunda-feira.
Documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos eventualmente recolhidos poderão ser confrontados com mensagens e informações financeiras já existentes no inquérito.
A partir dessa análise, os investigadores poderão verificar se existem novas evidências capazes de confirmar ou afastar as suspeitas.
O caso também deverá permanecer sob acompanhamento do Supremo, uma vez que envolve deputado federal e a operação foi autorizada por Flávio Dino.
Por enquanto, não existe condenação nem conclusão definitiva de que Cezinha de Madureira tenha cometido os crimes investigados.
A apuração está em andamento.
Fontes e créditos: Agência Brasil, Polícia Federal, decisão do ministro Flávio Dino/STF, Câmara dos Deputados e informações complementares de Folha de S.Paulo, CNN Brasil e Correio Braziliense. Informações verificadas em 14 de setembro de 2026.
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