PF encontra documento em que produtora de Dark Horse relata pressão por delação

Karina Gama, produtora ligada ao filme Dark Horse

Declaração assinada por Karina Gama foi apreendida durante buscas da Operação Make Up; empresária relata abordagens para que fizesse colaboração premiada, enquanto um dos citados nega qualquer contato com ela.

A Polícia Federal encontrou nesta quinta-feira (10), durante buscas da Operação Make Up, um documento no qual a empresária Karina Gama, ligada à produção do filme Dark Horse, relata ter sofrido pressões para realizar uma delação premiada.

O documento tem quatro páginas, é datado de 4 de setembro de 2026 e possui firma reconhecida em cartório. Ele foi localizado durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão em endereço relacionado à empresária, segundo informações publicadas pela imprensa nesta quinta-feira.

Karina é dona da Go Up Entertainment, produtora envolvida em Dark Horse, filme inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ponto central exige uma distinção importante: a apreensão do documento foi confirmada, mas as acusações registradas nele representam a versão de Karina Gama e não comprovam, por si só, que as pressões relatadas tenham ocorrido.

O que Karina Gama relata no documento?

Segundo o conteúdo revelado pela imprensa, Karina afirma ter sido procurada desde maio por três pessoas que teriam sugerido ou incentivado a realização de uma colaboração premiada.

Entre os nomes mencionados estão o empresário Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney, o jornalista Breno Pires, da revista Piauí, e um pastor evangélico não identificado publicamente nas primeiras reportagens sobre o documento.

Karina sustenta que as abordagens estariam relacionadas às investigações envolvendo Dark Horse.

Em sua declaração, a empresária afirma ainda não ter interesse em realizar uma delação porque diz não ter cometido irregularidades e não possuir fatos a revelar.

Documento menciona Flávio Bolsonaro

Reportagens que tiveram acesso ao documento afirmam que Karina relata pressões para que uma eventual colaboração envolvesse o senador Flávio Bolsonaro.

Segundo a versão da empresária, ela teria sido alertada sobre possíveis consequências judiciais caso não colaborasse com as investigações.

Novamente, trata-se do relato registrado por Karina no documento, e não de uma conclusão da Polícia Federal de que essas pressões efetivamente ocorreram.

Fernando Sarney nega acusação

Um dos citados no documento já contestou publicamente a versão da produtora.

Fernando Sarney afirmou que não conhece Karina Gama, nunca a viu e nunca manteve contato com ela.

Segundo o empresário, a afirmação de que teria proposto uma delação à produtora não procede.

O documento atribui a Karina a afirmação de que Sarney teria oferecido apoio jurídico e mencionado proximidade com o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino.

A própria produtora, porém, ressalva no relato que não presenciou conversa entre Fernando Sarney e Dino e não teria elementos para afirmar que o ministro soubesse da suposta abordagem.

Até as informações disponíveis nesta quinta-feira, Breno Pires não havia apresentado manifestação pública sobre o relato reproduzido pela imprensa.

Documento aparece no mesmo dia da Operação Make Up

A descoberta ocorreu durante a Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União nesta quinta-feira.

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Segundo comunicado oficial da PF, a investigação apura suspeita de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares repassadas a uma organização da sociedade civil por meio de termo de fomento.

A PF afirma que investiga a possível existência de uma organização formada por agentes públicos e privados que teria direcionado valores para empresas subcontratadas irregularmente e sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.

As autoridades apuram possíveis crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Entre os alvos da operação estão Karina Gama e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que também está ligado ao projeto de Dark Horse. Ambos negam irregularidades relacionadas aos recursos investigados.

Documento passa a integrar material apreendido

A apreensão não significa que a Polícia Federal tenha confirmado as alegações apresentadas por Karina.

O documento passa a fazer parte do conjunto de materiais obtidos durante as buscas e poderá ser analisado pelos investigadores juntamente com celulares, documentos e outras evidências recolhidas na operação.

A eventual relevância do relato para a investigação dependerá da possibilidade de verificar elementos que confirmem ou contradigam as afirmações registradas pela empresária.

Essa diferença é importante: uma declaração assinada pode documentar formalmente a versão de uma pessoa, mas não transforma automaticamente o conteúdo dessa declaração em fato comprovado.

O que acontece agora?

A Polícia Federal deverá continuar analisando o material recolhido durante os 49 mandados cumpridos nesta quinta-feira.

No caso específico da declaração de Karina Gama, os investigadores poderão verificar se existem mensagens, registros telefônicos, encontros, testemunhas ou outros elementos capazes de esclarecer as abordagens descritas no documento.

O surgimento da declaração acrescenta um novo elemento à investigação envolvendo pessoas e entidades relacionadas a Dark Horse, mas ainda será necessário distinguir o que pode ser comprovado do que permanece apenas como alegação dos envolvidos.

O Linha Direta News acompanha os desdobramentos do caso e atualizará as informações à medida que novos elementos forem confirmados.


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Fonte e créditos: matéria elaborada pelo Linha Direta News com informações da Polícia Federal e reportagens da CNN Brasil, Folha de S.Paulo e Veja.


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