Governo reduz tributos sobre combustíveis; veja o que muda

Governo reduz tributos sobre combustíveis

Medidas começam nesta quinta-feira (10) e atingem gasolina, etanol e diesel em resposta à alta do petróleo no mercado internacional.

O governo federal anunciou nesta quarta-feira (9) novas medidas para tentar conter o impacto da alta internacional do petróleo sobre os preços dos combustíveis no Brasil.

As mudanças incluem redução de R$ 0,63 por litro na carga de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina, zeragem desses tributos federais sobre o etanol hidratado e uma subvenção inicial de R$ 1 por litro para o diesel rodoviário.

As medidas para gasolina e etanol entram em vigor nesta quinta-feira (10) e estão previstas para permanecer até 5 de outubro. No caso do diesel, o valor da subvenção poderá ser alterado, interrompido ou prorrogado conforme as condições do mercado.

O anúncio ocorre em meio a uma nova escalada do preço internacional do petróleo, pressionado pelos conflitos geopolíticos e pelas incertezas envolvendo o abastecimento mundial.

Mas uma pergunta interessa especialmente aos consumidores: a gasolina ficará R$ 0,63 mais barata imediatamente nos postos?

A resposta é: não necessariamente.

O que muda na gasolina

O governo reduziu temporariamente as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre a importação e comercialização da gasolina e de suas correntes, com exceção da gasolina de aviação.

A redução da carga tributária equivale a R$ 0,63 por litro. Com a mudança, esses tributos passam a representar R$ 0,16 por litro.

A nova regra substitui uma subvenção anterior de R$ 0,44 por litro para a gasolina, cuja vigência termina nesta quarta-feira.

A medida valerá entre 10 de setembro e 5 de outubro.

Etanol terá tributos federais zerados

Para o etanol hidratado, utilizado diretamente como combustível nos veículos flex, as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins serão zeradas durante o mesmo período.

Segundo os dados divulgados pelo governo, a mudança representa uma redução tributária equivalente a R$ 0,19 por litro.

O efeito percebido pelo consumidor, porém, dependerá do comportamento dos preços ao longo da cadeia de comercialização.

Diesel terá subvenção inicial de R$ 1 por litro

No caso do diesel rodoviário, a estratégia é diferente.

Uma medida provisória autoriza a União a conceder uma subvenção econômica aos produtores e importadores participantes do programa.

O valor inicial será de R$ 1 por litro.

Segundo as regras anunciadas, o desconto deverá ser aplicado diretamente ao preço de venda e registrado na nota fiscal.

O Ministério da Fazenda poderá modificar o valor da subvenção conforme as condições do mercado e a disponibilidade de recursos.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) será responsável pela habilitação dos participantes, acompanhamento dos preços e operacionalização dos pagamentos.

A medida ganha importância porque uma parcela relevante do diesel consumido no Brasil depende de importações, deixando o mercado nacional mais exposto às oscilações internacionais.

Gasolina vai cair R$ 0,63 na bomba?

Esse é o ponto que exige maior cuidado.

A redução de R$ 0,63 anunciada pelo governo corresponde à carga tributária federal, e não a uma determinação de redução obrigatória de R$ 0,63 no preço mostrado pela bomba.

No Brasil, os preços dos combustíveis são livres.

Não existe tabelamento nacional que obrigue refinarias, distribuidores ou postos a praticarem determinado valor.

Além dos tributos federais, o preço pago pelo motorista envolve componentes como preço do combustível na origem, ICMS, custo do etanol anidro misturado à gasolina, transporte e margens de distribuição e revenda.

Por isso, parte ou toda a redução tributária pode chegar ao consumidor, mas o valor efetivamente percebido dependerá do comportamento desses componentes e do repasse realizado ao longo da cadeia.

A própria alta internacional do petróleo que motivou a medida pode exercer pressão na direção contrária.

Por que o petróleo voltou a preocupar?

O petróleo Brent voltou à faixa de US$ 100 por barril nesta quarta-feira, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.

O contrato mais negociado fechou o dia a US$ 101,21, com alta de 3,36%.

O cenário internacional tem impacto sobre o Brasil porque petróleo e derivados são negociados em mercados globais e parte dos combustíveis consumidos internamente depende de importação.

No diesel, essa dependência é particularmente relevante.

O governo também cita preocupações relacionadas ao Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte mundial de petróleo.

Uma interrupção significativa nessa região poderia afetar a oferta internacional e pressionar ainda mais as cotações.

Governo libera R$ 6,6 bilhões para subvenções

Para financiar as medidas relacionadas aos combustíveis, o governo abriu crédito extraordinário de aproximadamente R$ 6,6 bilhões.

Desse total, cerca de R$ 5,607 bilhões serão destinados à subvenção da produção e importação de diesel rodoviário.

Outros R$ 998 milhões serão direcionados à subvenção da produção e importação de combustíveis derivados de petróleo.

Os recursos serão executados pelo Ministério de Minas e Energia, com participação da ANP na operacionalização dos pagamentos.

Entenda como é formado o preço dos combustíveis

O preço encontrado pelo motorista no posto é resultado de diferentes componentes.

No caso da gasolina, entram nessa conta o preço na origem, tributos federais e estaduais, custo do etanol anidro misturado ao combustível e margens de distribuição e revenda.

No diesel, além dos custos relacionados ao produto de origem fóssil, também existe a mistura obrigatória de biodiesel.

Isso explica por que uma redução de determinado imposto não necessariamente produz queda idêntica no preço final.

Também existe concorrência entre postos e distribuidores, fazendo com que o repasse possa ocorrer de maneira diferente entre cidades e até entre estabelecimentos de uma mesma região.

Quando o consumidor poderá perceber a diferença?

As novas regras para gasolina e etanol começam a valer nesta quinta-feira (10).

Isso não significa, porém, que todos os postos terão preços diferentes já nas primeiras horas do dia.

O combustível vendido nos estabelecimentos pode ter sido adquirido anteriormente, e os novos valores precisam percorrer diferentes etapas da cadeia até chegar ao consumidor.

Nos próximos dias, o acompanhamento dos preços realizado pela ANP ajudará a mostrar quanto das medidas efetivamente chegou às bombas.

Por isso, consumidores também podem encontrar diferenças relevantes entre postos e regiões.

Medidas são temporárias

A estratégia anunciada pelo governo não representa uma mudança permanente na tributação dos combustíveis.

Para gasolina e etanol, a redução está prevista até 5 de outubro.

No diesel, a duração dependerá da instabilidade na oferta internacional relacionada aos conflitos geopolíticos, além das condições do mercado e da disponibilidade de recursos.

O objetivo declarado pelo governo é amortecer temporariamente o impacto da conjuntura internacional sobre o mercado brasileiro.

Isso significa que uma eventual estabilização do petróleo poderá alterar novamente a política adotada.

Da mesma forma, uma nova escalada internacional poderá exigir outras decisões.

O que acontece agora?

A principal questão passa a ser quanto das medidas anunciadas será efetivamente percebido pelo consumidor.

A partir desta quinta-feira, distribuidores e postos começarão a operar sob as novas condições tributárias para gasolina e etanol, enquanto o mecanismo de subvenção do diesel será operacionalizado com participação da ANP.

Nas próximas semanas, a evolução do petróleo no exterior também será determinante.

Para o motorista, portanto, o melhor indicador não será apenas o valor anunciado pelo governo, mas o preço efetivamente mostrado nas bombas nos próximos dias.


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Fonte e créditos: matéria elaborada pelo Linha Direta News com informações da Agência Brasil, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e dados divulgados pelo governo federal.


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