Bolsa Família sobe para R$ 691 a partir de outubro

Bolsa Família sobe para R$ 691 em outubro

Governo reajusta benefícios do programa em 15,04%; valor médio deverá chegar a R$ 777 e novos valores começam a produzir efeitos financeiros em outubro.

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família. Com a mudança, o valor mínimo garantido às famílias atendidas pelo programa passa de R$ 600 para R$ 691.

O benefício médio, atualmente em torno de R$ 675, deverá chegar a aproximadamente R$ 777 após a atualização.

O decreto foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicado em edição extra do Diário Oficial da União. A norma entrou em vigor na data da publicação, mas os efeitos financeiros começam em 1º de outubro de 2026.

Segundo o governo, o percentual corresponde à inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026.

Veja os novos valores do Bolsa Família

O reajuste não se limita ao piso do programa. Outros componentes utilizados no cálculo do benefício também foram atualizados.

BenefícioValor anteriorNovo valor
Valor mínimo garantido por famíliaR$ 600R$ 691
Renda de Cidadania, por integranteR$ 142R$ 164
Primeira InfânciaR$ 150R$ 173
Benefício Variável FamiliarR$ 50R$ 58
Benefício médio estimadoR$ 675R$ 777

O valor efetivamente recebido por cada família pode variar conforme sua composição e as regras aplicáveis ao programa.

Quando começa o pagamento de R$ 691?

Embora os efeitos financeiros do decreto comecem em 1º de outubro, o calendário regular do Bolsa Família prevê que os pagamentos de outubro sejam realizados entre 19 e 30 de outubro, conforme o último dígito do Número de Identificação Social (NIS).

O calendário previsto é:

Final do NISPagamento
119 de outubro
220 de outubro
321 de outubro
422 de outubro
523 de outubro
626 de outubro
727 de outubro
828 de outubro
929 de outubro
030 de outubro

Por que o Bolsa Família foi reajustado?

De acordo com o governo, a correção busca recompor a perda do poder de compra provocada pela inflação desde a reformulação do programa em março de 2023.

O secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Bruno Moretti, informou que a inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto de 2026 chegou a 15,04%, percentual utilizado como referência para a atualização.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a despesa adicional será absorvida pelas dotações orçamentárias existentes. O governo estima um impacto adicional de aproximadamente R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027.

Quem tem direito ao Bolsa Família?

As regras de acesso ao programa não foram alteradas pelo decreto.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, podem ingressar no Bolsa Família famílias cuja renda mensal seja de até R$ 218 por pessoa.

A entrada no programa ocorre por meio do Cadastro Único, utilizado pelo governo para reunir informações socioeconômicas das famílias de baixa renda. Estar inscrito no cadastro, entretanto, não significa recebimento automático do benefício.

Reajuste ocorre a poucos dias das eleições

O anúncio ocorre a 17 dias do primeiro turno das eleições gerais de 2026, marcado para 4 de outubro, o que acrescenta contexto político à medida.

A Advocacia-Geral da União (AGU) afirmou nesta quinta-feira que a correção pelo INPC não configura criação de um novo benefício nem ampliação do público atendido. Segundo o órgão, trata-se de recomposição inflacionária autorizada pela legislação que regulamenta o programa e, por essa razão, a medida estaria fora das vedações eleitorais aplicáveis à ampliação de benefícios sociais em ano de eleição.

O contexto eleitoral, portanto, pode gerar debate político sobre o momento do anúncio. Juridicamente, a posição apresentada pelo governo e pela AGU é de que o decreto promove uma atualização dos valores já existentes, sem alterar os critérios de acesso.

O que muda para quem já recebe?

Para quem permanece enquadrado nas regras do programa, a principal mudança será percebida no valor pago a partir da folha de outubro.

Não é necessário fazer uma nova inscrição exclusivamente por causa do reajuste. Beneficiários, entretanto, devem continuar mantendo as informações do Cadastro Único atualizadas e cumprindo as regras do programa.

Como o Bolsa Família possui diferentes componentes relacionados à quantidade e à idade dos integrantes da família, R$ 691 representa o valor mínimo garantido, e não necessariamente o valor final que todas as famílias receberão.

Famílias que tenham direito aos benefícios adicionais poderão receber valores superiores.

O que acontece agora?

O decreto já foi publicado e os novos valores terão efeitos financeiros a partir de outubro.

O primeiro pagamento previsto no calendário mensal será feito em 19 de outubro, para beneficiários com NIS terminado em 1. Os depósitos seguem gradualmente até 30 de outubro, quando recebem os beneficiários com NIS final 0.

A atualização representa o primeiro reajuste dos valores do atual desenho do Bolsa Família desde sua instituição em 2023 e terá impacto direto no orçamento das famílias atendidas e nas despesas federais com o programa.

Fontes e créditos

Informações apuradas pelo Linha Direta News com base no decreto publicado pelo governo federal, em dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e em informações divulgadas pela Agência Brasil.

Gostou da informação? Compartilhe esta matéria com quem recebe o Bolsa Família e pode precisar conhecer os novos valores e as datas de pagamento.

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