Pesquisadores de segurança usaram inteligência artificial para localizar vulnerabilidades em componentes utilizados pelo aplicativo. Em uma demonstração controlada, as falhas permitiram acesso remoto à câmera e ao rolo de fotos de um celular. O TikTok foi avisado e corrigiu o problema.
Pesquisadores da empresa americana de cibersegurança DepthFirst utilizaram inteligência artificial para descobrir uma cadeia de vulnerabilidades envolvendo o TikTok capaz de permitir acesso remoto à câmera e às fotos armazenadas em um smartphone.
A demonstração foi revelada nesta sexta-feira (18) pelo The Washington Post. Durante o teste, um pesquisador conseguiu acessar recursos protegidos de um aparelho enquanto o celular navegava pelo TikTok.
O episódio chama atenção não apenas pelas falhas encontradas, mas principalmente pela ferramenta utilizada para localizá-las: um sistema de inteligência artificial desenvolvido para procurar vulnerabilidades em softwares.
Como a inteligência artificial encontrou as falhas
A DepthFirst utilizou uma versão modificada do modelo GLM, desenvolvido pela empresa chinesa Z.ai. O modelo pode ser baixado e adaptado, e os pesquisadores o combinaram com outras ferramentas para analisar grandes quantidades de código em busca de possíveis brechas.
As vulnerabilidades estavam relacionadas a um componente de código aberto utilizado pelo TikTok. Depois que a IA apontou possíveis problemas, os especialistas analisaram e combinaram diferentes falhas até construir uma sequência capaz de alcançar funções protegidas do aparelho.
Isso é importante porque não foi uma inteligência artificial agindo sozinha e invadindo celulares de usuários. A tecnologia funcionou como ferramenta para acelerar a identificação das vulnerabilidades, enquanto pesquisadores montaram e executaram a demonstração.
Câmera e fotos puderam ser acessadas
Na demonstração apresentada pela DepthFirst, a cadeia de vulnerabilidades permitiu acessar remotamente a câmera e o rolo de fotografias do smartphone.
O teste mostrou o impacto potencial que as falhas poderiam ter caso fossem exploradas por alguém com objetivos maliciosos.
Não há, porém, indicação nas informações divulgadas de que usuários do TikTok tenham sido vítimas de ataques em larga escala utilizando essas vulnerabilidades.
TikTok corrigiu as vulnerabilidades
A DepthFirst comunicou as falhas ao TikTok.
Segundo mensagens da equipe de segurança da plataforma analisadas pelo The Washington Post, a empresa confirmou as vulnerabilidades e posteriormente corrigiu os problemas. O TikTok não respondeu aos pedidos de comentário feitos pelo jornal para a reportagem.
Portanto, a descoberta não significa que atualmente exista uma brecha conhecida permitindo que qualquer pessoa abra remotamente a câmera ou veja as fotografias de usuários do TikTok.
Essa distinção é fundamental para evitar alarmismo.
Por que esse caso vai além do TikTok?
O episódio mostra uma transformação importante na área de segurança digital.
Encontrar vulnerabilidades em programas tradicionalmente exige profissionais especializados analisando grandes quantidades de código. Sistemas de IA estão tornando parte desse processo muito mais rápida.
Isso pode beneficiar empresas de segurança, permitindo encontrar e corrigir problemas antes que sejam explorados por criminosos.
O mesmo recurso, porém, também pode ser utilizado por atacantes.
Especialistas ouvidos pelo The Washington Post apontam que modelos cada vez mais capazes podem reduzir o conhecimento técnico necessário para determinadas operações e acelerar a procura por sistemas vulneráveis.
IA também está acelerando ataques digitais
O caso do TikTok surge em meio a outros episódios recentes envolvendo inteligência artificial e cibersegurança.
Nesta semana, a autoridade espanhola de proteção de dados divulgou um caso envolvendo um agente de IA que teria identificado vulnerabilidades, acessado um sistema, modificado dados pessoais e consultado registros de cobrança. A investigação ainda está em andamento.
Também nesta sexta-feira, pesquisadores da Hacktron AI revelaram um trabalho de segurança realizado dentro de um programa autorizado de recompensa por vulnerabilidades envolvendo sistemas da OpenAI. As falhas identificadas foram posteriormente corrigidas.
Os episódios ajudam a mostrar os dois lados da tecnologia: a mesma capacidade que permite localizar vulnerabilidades para corrigi-las também pode reduzir barreiras para quem pretende explorá-las.
O que o usuário pode fazer?
Para quem utiliza TikTok ou outros aplicativos, o episódio reforça algumas medidas simples de segurança.
Manter aplicativos e o sistema operacional atualizados é uma delas, já que correções de vulnerabilidades normalmente chegam por meio dessas atualizações.
Também é recomendável revisar periodicamente quais aplicativos têm autorização para utilizar câmera, microfone, localização e biblioteca de fotos. O próprio executivo-chefe da DepthFirst recomendou limitar essas permissões e manter os aplicativos atualizados.
Isso não significa que todo aplicativo que solicita essas permissões esteja espionando o usuário. O objetivo é reduzir acessos desnecessários caso alguma vulnerabilidade seja descoberta no futuro.
Um novo desafio para a segurança digital
O aspecto mais relevante do episódio talvez não seja a vulnerabilidade específica encontrada no TikTok — que já foi corrigida —, mas a velocidade com que ferramentas de inteligência artificial estão avançando na identificação de falhas.
Para empresas de tecnologia, isso pode significar descobrir problemas mais rapidamente.
Para criminosos digitais, a mesma evolução pode representar ferramentas capazes de automatizar tarefas que anteriormente exigiam conhecimento altamente especializado.
A disputa entre quem encontra uma vulnerabilidade para corrigi-la e quem procura explorá-la pode estar entrando em uma nova fase.
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Fontes e créditos
Informações apuradas a partir de reportagem publicada em 18 de setembro de 2026 pelo The Washington Post, com informações complementares do UOL e reportagens sobre segurança digital publicadas nesta semana.
The Washington Post — reportagem original
UOL — teste de segurança envolvendo o TikTok
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