Prédio desaba sobre casa e mata duas pessoas em SP

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Edifício em construção caiu sobre uma residência na Penha, zona leste da capital. Obra já havia sido alvo de fiscalização e pedido judicial de demolição; autoridades apuram responsabilidades pelo desabamento.

Um prédio em construção desabou sobre uma residência na Rua Tequici, no bairro da Penha, zona leste de São Paulo, na madrugada deste sábado (12). Duas mulheres morreram, uma delas grávida, e equipes de resgate passaram o dia trabalhando entre os escombros em busca de outras vítimas.

O acidente aconteceu por volta das 2h, enquanto a capital enfrentava fortes chuvas. No entanto, até a noite deste sábado, a Defesa Civil afirmava não ser possível estabelecer relação entre o temporal e o desabamento. A causa do colapso ainda precisa ser determinada pelas investigações e pela perícia.

Além da dimensão da tragédia, o histórico da construção passou a ser um dos principais pontos da investigação.

Obra já havia sido alvo de ação judicial

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de São Paulo, o imóvel já havia sido alvo de fiscalizações da Subprefeitura da Penha.

Em 2021, o município solicitou judicialmente a demolição de uma construção irregular existente no local. Antes disso, houve ordem de interdição e aplicação de multas, incluindo uma de R$ 119 mil. Uma decisão judicial também determinou a paralisação das obras depois que um pedido de alvará apresentado em 2019 havia sido indeferido.

Documentos publicados no Diário Oficial da cidade em 2021 registram autuações contra a New Home Construção, Incorporadora e Empreendimentos relacionadas ao endereço da Rua Tequici.

O histórico administrativo, porém, teve uma nova etapa nos anos seguintes.

Em 2022, foi apresentado outro projeto para o terreno. Em agosto de 2023, a prefeitura emitiu um alvará para execução de uma nova obra, mas com uma determinação expressa: a estrutura anterior deveria ser demolida.

Documento apontou que demolição havia sido realizada

Em fevereiro de 2024, uma vistoria foi feita no endereço.

De acordo com a prefeitura, um laudo assinado por uma servidora da Subprefeitura da Penha informou que a demolição havia sido realizada. A informação contribuiu para o encerramento do processo judicial, e a obra passou a contar com Alvará de Aprovação e Execução de Edificação Nova vigente.

Após o desabamento, porém, a prefeitura informou que a demolição exigida anteriormente não teria sido cumprida.

A situação abriu uma nova frente de investigação.

O prefeito Ricardo Nunes afirmou que a Controladoria-Geral do Município foi acionada para apurar o documento referente à vistoria. Segundo ele, caso sejam identificadas irregularidades, haverá apuração das responsabilidades.

A prefeitura também informou que a Guarda Civil Metropolitana participa da apuração relacionada à vistoria realizada em 2024.

Prefeitura diz que responsáveis pela construtora são procurados

Na noite deste sábado, Ricardo Nunes afirmou que a polícia buscava os proprietários da construtora New Home, responsável pela obra.

Segundo o prefeito, os responsáveis seriam pai e filho, sendo que um deles também atuaria como engenheiro responsável técnico pelo empreendimento.

Nunes afirmou que há indícios de descumprimento da determinação relacionada à demolição da estrutura anterior e declarou que a polícia pretendia dar voz de prisão aos responsáveis. Até a atualização desta matéria, porém, isso era uma declaração do prefeito sobre a atuação policial — não uma confirmação de que as prisões já haviam ocorrido.

Essa distinção é importante porque as responsabilidades pelo desabamento ainda serão objeto de investigação.

Duas mulheres morreram

As duas mortes confirmadas até a noite deste sábado são de mulheres. Uma delas estava grávida.

Um homem e uma criança também foram retirados com vida dos escombros e encaminhados para atendimento médico. Ao longo do dia, dezenas de bombeiros participaram da operação de busca e salvamento.

Na atualização divulgada no início da noite, quatro pessoas ainda eram procuradas sob os escombros: uma criança, duas mulheres e um homem.

A Defesa Civil também vistoriou a região e interditou três residências localizadas no mesmo terreno vizinho à obra.

Chuva causou o desabamento?

Ainda não é possível afirmar.

Embora o edifício tenha desabado durante o período de fortes chuvas que atingiu São Paulo, a Defesa Civil informou que não havia elementos suficientes para estabelecer uma relação entre o temporal e o colapso da estrutura.

Isso significa que atribuir neste momento o acidente exclusivamente à chuva seria precipitado.

A análise das condições estruturais do prédio, do histórico da obra, das autorizações concedidas e do cumprimento — ou não — das determinações administrativas será fundamental para esclarecer o que provocou o desabamento.

O que acontece agora?

As buscas por vítimas permaneciam como prioridade das equipes de emergência na noite deste sábado.

Paralelamente, diferentes frentes de apuração devem esclarecer as responsabilidades pelo acidente.

A Polícia Civil deverá investigar as circunstâncias do desabamento e a eventual responsabilidade dos responsáveis pela construção. A prefeitura também abriu uma frente interna relacionada à documentação da obra e à vistoria que registrou como realizada uma demolição que, segundo a administração municipal, não teria ocorrido.

A perícia será essencial para determinar tecnicamente o que levou a estrutura ao colapso.

Até que essas investigações avancem, é necessário separar três fatos: o prédio desabou durante um período de chuva intensa; havia um histórico de irregularidades e medidas administrativas envolvendo a construção; mas a causa técnica do desabamento ainda não foi oficialmente determinada.

O Linha Direta News acompanha o caso e atualizará as informações caso haja mudanças no número de vítimas, conclusão das buscas ou novos dados das investigações.

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Fonte e créditos: informações da Prefeitura de São Paulo reproduzidas pela CNN Brasil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e registros do Diário Oficial da Cidade de São Paulo.


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