PM usa conversas entre sargentos para justificar encontro de viaturas próximo ao motorista de Haddad

motorista de Haddad

Investigação da Polícia Militar aponta que equipes combinaram encontro para atender uma ocorrência; MPE arquivou apuração eleitoral, mas considerou “pouco convincente” a versão de que as aproximações ocorreram por mera coincidência.

A Polícia Militar de São Paulo apresentou conversas entre dois sargentos e depoimentos de policiais como parte da justificativa para o encontro de duas viaturas que passaram pela região onde estava o motorista do candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT).

Documentos da investigação, obtidos pela Jovem Pan, indicam que as equipes M-12070 e M-12090 teriam combinado previamente um ponto de encontro na Rua Joinville, na região de Indianápolis, para atender a uma ocorrência relacionada à possibilidade de roubo ou furto em um condomínio.

PM usa conversas para justificar encontro de viaturas perto de Haddad

O episódio faz parte de uma apuração iniciada após a campanha de Haddad denunciar uma suposta perseguição e abordagem policial ao motorista do candidato, na noite de 11 de agosto.

O que a PM afirma

Segundo o relatório apresentado pela Polícia Militar, o sargento Elder, que comandava a viatura M-12070, recebeu uma informação sobre uma possível ocorrência nas proximidades do Hotel Pullman.

De acordo com a versão da corporação, Elder teria entrado em contato com outra equipe da Força Tática e combinado que as viaturas se encontrariam na Rua Joinville para receber apoio.

Mensagens trocadas entre os sargentos fazem parte dos documentos analisados.

Em uma conversa iniciada às 22h16, Elder informa que estava na região da Rua Joinville e, posteriormente, pergunta ao sargento Jesus se faria um contato entre as equipes.

A segunda viatura chegou ao local por volta das 22h35, segundo a investigação da PM.

A corporação afirma que as duas equipes receberam verbalmente informações sobre a possível ocorrência em um condomínio e permaneceram juntas até aproximadamente 22h55.

O motorista de Haddad estava no local?

Sim. Esse é um dos pontos que tornou o episódio alvo de questionamentos.

Segundo a investigação da PM, o carro utilizado pelo motorista de Haddad deixou a região por volta das 22h26, antes da chegada da segunda viatura, que ocorreu aproximadamente nove minutos depois.

A corporação afirma, portanto, que o encontro das duas equipes não teria sido uma ação direcionada ao motorista.

A investigação também sustenta que, quando uma das equipes estava parada na Rua Joinville, os policiais verificaram um Hyundai HB20 branco que estava estacionado na região.

Um dos soldados afirmou que utilizou uma lanterna para verificar o interior do veículo porque havia suspeita de que pudesse haver alguém dentro do automóvel.

Segundo o depoimento, o veículo não era o Ford Fusion utilizado pelo motorista de Haddad.

E o carro de Haddad?

As imagens analisadas na investigação mostram uma viatura passando próximo ao Ford Fusion.

Os policiais, porém, afirmaram que não iluminaram nem abordaram o veículo utilizado pelo motorista de Haddad naquele momento.

A PM também sustenta que não houve consulta da placa, ordem de parada, acompanhamento ou contato com os ocupantes do carro.

Outro episódio ocorreu cerca de 40 minutos antes.

Segundo a corporação, às 21h45, uma viatura teria direcionado um facho de luz para o Ford Fusion durante aproximadamente dois segundos, pouco antes de o veículo chegar à residência de Haddad.

A PM considera esse episódio separado do encontro posterior das viaturas na Rua Joinville.

Por que o Ministério Público questionou a versão?

Apesar de ter arquivado a apuração na esfera eleitoral, o Ministério Público Eleitoral de São Paulo fez uma ressalva importante.

O procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt concluiu que não havia elementos para atribuir ao governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um ilícito eleitoral relacionado ao episódio.

Por outro lado, considerou “inverossímil” a explicação de que a sequência de aproximações policiais teria ocorrido por mera coincidência durante o patrulhamento de rotina.

Na avaliação do procurador, duas equipes diferentes da Força Tática, pertencentes a batalhões distintos, tiveram contatos sucessivos com as mesmas pessoas e com o mesmo veículo em um intervalo de 44 minutos e em uma área geograficamente restrita.

A ressalva do MPE é importante porque o arquivamento não equivale a uma confirmação integral da versão apresentada pela Polícia Militar.

Haddad apresentou novas imagens

A campanha de Fernando Haddad também apresentou um parecer técnico produzido por peritos contratados para analisar imagens de câmeras de segurança.

Segundo a equipe do candidato, o material indicaria a participação de três viaturas na movimentação registrada naquela noite.

O laudo afirma ainda que uma das viaturas teria permanecido estacionada por cerca de 20 minutos em uma área que não era totalmente coberta pelas câmeras analisadas. As imagens mostrariam posteriormente um policial circulando pela região.

A Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar contestaram a interpretação dada pela campanha às imagens e sustentam a versão apresentada nos relatórios oficiais.

O que foi arquivado?

A apuração conduzida pelo Ministério Público Eleitoral foi arquivada porque não foram encontrados elementos suficientes para caracterizar ilícito eleitoral ou responsabilizar o governador Tarcísio de Freitas pelo episódio.

Isso não encerra necessariamente todas as investigações relacionadas ao caso.

A Polícia Civil mantém uma apuração própria para verificar as circunstâncias envolvendo o motorista de Haddad e a atuação das viaturas.

Assim, existem duas questões diferentes em análise: a eventual existência de crime ou abuso de autoridade e a possibilidade de uso da estrutura policial para interferir na disputa eleitoral.

A segunda questão foi analisada pelo MPE e acabou arquivada. A primeira permanece sob investigação policial.

Entenda a cronologia do caso

Horário aproximadoO que ocorreu
21h45Uma viatura direciona um facho de luz para o Ford Fusion, segundo a PM
21h56Viatura relacionada ao primeiro episódio estaria na base, segundo dados apresentados à apuração
21h58Motorista chega à região do hotel
22h16Sargento Elder inicia conversa com outro policial
22h24Viatura M-12070 entra na região da Rua Joinville
22h26Motorista de Haddad deixa o local
22h35Segunda viatura chega para encontrar a primeira
22h55As duas equipes permanecem juntas até aproximadamente este horário

Os horários fazem parte das diferentes informações apresentadas durante a investigação e ajudam a explicar por que o caso passou a ser objeto de interpretações distintas.

O que acontece agora?

A apuração eleitoral foi arquivada, mas o caso ainda pode ter novos desdobramentos na esfera criminal.

A Polícia Civil continua investigando os acontecimentos e poderá analisar novas imagens, depoimentos e documentos relacionados à movimentação das viaturas.

Enquanto isso, permanecem distintas as versões apresentadas pelas partes.

A Polícia Militar afirma que o encontro das viaturas foi previamente combinado para atender uma ocorrência e que não houve perseguição ao motorista de Haddad.

A defesa do motorista e a campanha de Haddad sustentam que houve uma movimentação policial atípica e contestam a explicação apresentada pela corporação.

O Ministério Público Eleitoral, por sua vez, não encontrou elementos para caracterizar ilícito eleitoral, mas considerou inverossímil a hipótese de que toda a sequência tenha ocorrido simplesmente por coincidência.

A definição sobre o que efetivamente aconteceu dependerá do avanço das investigações ainda em curso.

Perguntas frequentes

O MPE concluiu que o motorista de Haddad foi perseguido?

Não. O Ministério Público Eleitoral não confirmou a existência de perseguição e arquivou a apuração na esfera eleitoral.

O MPE confirmou a versão da Polícia Militar?

Também não. Embora tenha arquivado a representação por ausência de elementos de ilícito eleitoral contra Tarcísio de Freitas, o procurador considerou “inverossímil” a explicação de que as aproximações ocorreram por mera coincidência.

A Polícia Militar apresentou provas da versão dela?

Sim. A corporação apresentou conversas entre sargentos, depoimentos de policiais e informações sobre os deslocamentos das viaturas para sustentar que o encontro das equipes havia sido previamente combinado.

O caso acabou?

Não completamente. A apuração eleitoral foi arquivada, mas a investigação da Polícia Civil sobre os acontecimentos continua.

Haddad mantém a acusação?

A campanha de Haddad continua contestando a versão apresentada pela PM e afirma ter apresentado novas imagens e um parecer técnico que, segundo seus representantes, reforçariam o relato do motorista.

Fontes: matéria da Jovem Pan foi usada como fonte principal para os documentos e a versão apresentada pela PM.

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