CCJ do Senado aprova PEC que acaba com escala 6×1, mas votação no plenário é adiada

fim da escala 6x1

Proposta reduz jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e mantém os salários; texto ainda precisa ser aprovado em dois turnos pelo Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil.

A proposta reduz gradualmente a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas e estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial.

Apesar da aprovação na CCJ, a PEC não avançou para o plenário nesta quarta-feira. A oposição obstruiu a sessão do Senado, impedindo a votação da proposta. Com isso, a análise em plenário ficou para uma nova oportunidade.

O que muda com o fim da escala 6×1?

Se for aprovada definitivamente, a PEC estabelece uma transição para a nova jornada de trabalho.

O limite semanal passará inicialmente de 44 para 42 horas. Essa primeira redução deverá ocorrer dois meses após a promulgação da emenda constitucional.

Depois de 12 meses, a jornada máxima será reduzida definitivamente para 40 horas semanais.

Além disso, o trabalhador terá direito a dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Como ficará a jornada?

RegraSituação atualProposta
Jornada máxima semanal44 horas40 horas
Primeira etapa42 horas
Descanso semanal1 dia2 dias
Redução salarialNão prevista
Preferência de folgaUm dos dias, preferencialmente domingo
Escala 6×1PermitidaExtinta

A mudança será imediata?

Não.

A PEC prevê uma implementação gradual. Dois meses depois da promulgação, a jornada máxima passaria para 42 horas semanais.

Após mais 12 meses, chegaria ao limite definitivo de 40 horas.

Na prática, a transição completa ocorreria ao longo de aproximadamente 14 meses após a promulgação da emenda constitucional.

O que aconteceu na CCJ?

O relatório foi apresentado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), que rejeitou as 36 emendas apresentadas durante a discussão da proposta.

Entre as sugestões rejeitadas estavam mudanças que permitiriam a manutenção da escala 6×1 ou jornadas superiores às 40 horas semanais.

Dos 27 senadores presentes na comissão, quatro registraram voto contrário: Rogério Marinho (PL-RN), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Tereza Cristina (PP-MS) e Jaime Bagattoli (PL-RO). A votação ocorreu de forma simbólica.

Oposição critica proposta

O líder da oposição, senador Rogério Marinho, criticou o texto e afirmou que a redução da jornada, sem diminuição dos salários, poderia aumentar os custos para as empresas e provocar impactos sobre inflação, emprego e informalidade.

Marinho também defendeu uma proposta alternativa baseada em um modelo de trabalho por hora e maior flexibilidade na negociação entre empregadores e trabalhadores.

O senador Jaime Bagattoli também questionou a redução da jornada. Segundo ele, a medida poderia elevar os custos das empresas e dificultar a manutenção da produtividade.

Relator defende mais tempo de descanso

O relator Omar Aziz argumentou que a redução da jornada representa uma atualização das regras trabalhistas e pode melhorar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

O senador também rejeitou a ideia de que a mudança necessariamente provocará uma quebra da economia brasileira.

Segundo Aziz, a relação individual entre patrão e empregado não oferece necessariamente as mesmas condições de negociação existentes em acordos coletivos.

O que acontece agora?

A aprovação na CCJ foi apenas mais uma etapa da tramitação.

A PEC ainda precisa ser votada pelo plenário do Senado em dois turnos. Para ser aprovada, uma proposta de emenda à Constituição precisa receber pelo menos 49 votos favoráveis em cada turno, considerando os 81 senadores.

Somente depois da aprovação pelo Senado a proposta poderá avançar para as etapas seguintes de promulgação.

A votação que estava sendo esperada para esta semana acabou sendo prejudicada pela obstrução da oposição nesta quarta-feira.

Quem seria afetado?

A mudança alcançaria trabalhadores submetidos atualmente a jornadas de até 44 horas semanais e que trabalham em regimes compatíveis com a escala 6×1.

A proposta também prevê regras específicas para determinados regimes de trabalho e preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas para categorias que necessitam de condições diferenciadas.

Setores que funcionam de maneira contínua, como saúde, segurança e algumas atividades de comércio e serviços, poderão exigir regras específicas para organizar os dois dias de descanso.

O fim da 6×1 vai reduzir o salário?

Não.

O texto aprovado na CCJ prevê a redução da jornada sem redução salarial.

A mudança, portanto, reduz o número máximo de horas trabalhadas por semana, mas mantém o salário dos trabalhadores.

A proposta pode aumentar os custos das empresas?

Esse é um dos principais pontos de divergência no debate.

Parlamentares contrários à PEC afirmam que trabalhar menos horas mantendo os mesmos salários poderá elevar o custo da mão de obra e exigir novas contratações em determinados setores.

Defensores da proposta argumentam que o aumento do descanso pode melhorar a qualidade de vida, reduzir o desgaste dos trabalhadores e contribuir para a produtividade.

Estudos sobre os possíveis impactos econômicos apresentam resultados divergentes sobre efeitos na inflação e no Produto Interno Bruto (PIB).

Entenda a escala 6×1

A chamada escala 6×1 permite que o trabalhador cumpra seis dias de trabalho e tenha um dia de descanso semanal.

O modelo é utilizado em diferentes setores da economia, especialmente em atividades que funcionam durante toda a semana.

A PEC busca substituir esse modelo por uma organização com dois dias de descanso semanal remunerado e jornada máxima de 40 horas.

A proposta também acompanha uma tendência de redução da jornada observada em outros países. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), por exemplo, já recomendava desde 1962 a redução progressiva da jornada para 40 horas semanais.

O que está decidido e o que ainda falta?

EtapaSituação
Aprovação da PEC na CâmaraConcluída
Relatório na CCJ do SenadoAprovado
Votação na CCJAprovada em 2 de setembro de 2026
Votação no plenário do SenadoAinda não ocorreu
Dois turnos no SenadoPendentes
PromulgaçãoPendente

Perguntas frequentes

A escala 6×1 já acabou?

Não. A aprovação na CCJ não encerra a tramitação. A PEC ainda precisa ser aprovada pelo plenário do Senado.

Quantas horas serão trabalhadas por semana?

O texto prevê uma redução gradual de 44 para 40 horas semanais.

O salário será reduzido?

Não. A proposta prevê a redução da jornada sem redução salarial.

Quantos dias de folga o trabalhador terá?

Dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Quando a nova regra começará a valer?

Somente depois da aprovação definitiva e da promulgação da emenda. A partir daí, haverá uma transição: 42 horas após dois meses e 40 horas após mais 12 meses.

A PEC já foi aprovada pelo Senado?

Ainda não. A CCJ aprovou o texto, mas a votação no plenário, em dois turnos, ainda precisa acontecer.


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Fonte:Agencia Brasil


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