Hábitos comuns aumentam risco de câncer de estômago

Câncer de estômago hábitos aumentam o risco

Levantamento nacional chama atenção para alimentação inadequada, consumo de álcool e sedentarismo; INCA estima mais de 22 mil novos casos da doença por ano no Brasil.

Hábitos presentes na rotina de milhões de brasileiros estão acendendo um alerta para o câncer de estômago. Alimentação inadequada, consumo frequente de bebidas alcoólicas, excesso de peso e sedentarismo estão entre os fatores associados ao desenvolvimento da doença.

Um levantamento nacional realizado pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus mostra uma contradição na percepção dos brasileiros sobre a própria saúde: seis em cada dez entrevistados consideram sua saúde ótima ou boa, mas proporção semelhante admite não manter hábitos saudáveis ou não estar no peso considerado ideal.

A pesquisa ouviu 2.015 brasileiros e identificou comportamentos que merecem atenção. Cerca de 41% disseram não consumir alimentos frescos diariamente. Outros 33% afirmaram comer produtos ultraprocessados três ou mais vezes por semana, enquanto 31% consomem frituras nessa mesma frequência.

O sedentarismo também aparece com destaque: 42% dos entrevistados disseram nunca praticar atividade física. Já 41% afirmaram consumir bebidas alcoólicas pelo menos uma vez por semana.

Câncer de estômago deve atingir mais de 22 mil brasileiros por ano

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) ajudam a dimensionar o problema.

A estimativa oficial para o período de 2026 a 2028 aponta 22.530 novos casos de câncer de estômago por ano no Brasil. Desse total, 13.830 devem ocorrer entre homens e 8.700 entre mulheres.

Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de estômago ocupa a quinta posição entre os tipos de câncer mais incidentes no país. Entre os homens, está entre os cinco tumores de maior incidência.

Quais fatores aumentam o risco?

O câncer de estômago, também chamado de câncer gástrico, não possui uma única causa.

Segundo o INCA, entre os fatores associados ao desenvolvimento da doença estão excesso de gordura corporal, consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo e ingestão excessiva de sal e alimentos conservados em sal.

Outro fator importante é a infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori), que pode permanecer durante anos no organismo e está relacionada ao desenvolvimento do câncer gástrico.

Isso não significa que uma pessoa que apresente um desses fatores necessariamente desenvolverá câncer. O risco está relacionado a diferentes condições e pode resultar da combinação de fatores ambientais, comportamentais e individuais.

Jovens chamam atenção pelo consumo de ultraprocessados

Um dos dados que mais chamam atenção no levantamento aparece entre os brasileiros de 16 a 24 anos.

Nesse grupo, 17% afirmaram consumir alimentos ultraprocessados diariamente. Entre pessoas com 60 anos ou mais, esse percentual cai para 4%.

A diferença reforça a preocupação com hábitos adquiridos ainda na juventude, principalmente porque diversos fatores de risco podem atuar sobre o organismo durante muitos anos.

Sintomas podem ser confundidos com problemas comuns do estômago

Um dos desafios do câncer gástrico é que alguns sintomas iniciais podem ser inespecíficos.

O INCA recomenda investigação médica diante de sinais persistentes como falta de apetite, perda de peso sem causa aparente, desconforto abdominal, sensação de estômago cheio após pequenas refeições, náuseas e vômitos.

Sangramento digestivo, anemia e outros sintomas também podem aparecer.

Ter esses sinais não significa necessariamente que a pessoa esteja com câncer, mas sintomas persistentes precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

Diagnóstico precoce faz diferença

Segundo o INCA, investigar sinais e sintomas suspeitos é uma estratégia importante para encontrar tumores em fases iniciais e aumentar as possibilidades de tratamento bem-sucedido.

O instituto ressalta, porém, que atualmente não há evidência científica suficiente para recomendar o rastreamento do câncer de estômago para toda a população sem sintomas. A orientação é buscar avaliação diante de sinais suspeitos e considerar fatores individuais de risco.

Além da atenção aos sintomas, reduzir o consumo de álcool, evitar o tabagismo, controlar o excesso de peso e manter uma alimentação equilibrada fazem parte das medidas relacionadas à prevenção.


Fontes e créditos: informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e levantamento do A.C.Camargo Cancer Center/Nexus divulgado pela CNN Brasil.

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