Veredito no Caso Henry Borel: Decisão do Júri é Aguardada Até Quinta-feira

O décimo dia do julgamento do Caso Henry, o mais longo da história do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, dedicou a quarta-feira (3) aos debates entre acusação e defesa. Esta é a etapa final antes que os jurados cheguem a um veredito, que é aguardado entre a virada de quarta para quinta-feira (4).

Contexto do Julgamento

Os réus, o vereador cassado Jairo Souza Santos Júnior (Dr. Jairinho) e sua então companheira Monique Medeiros Costa e Silva, respondem pela morte de Henry Borel, filho de Monique, de 4 anos, ocorrida em 8 de março de 2021. O laudo cadavérico oficial do Instituto Médico Legal (IML) apontou laceração hepática decorrente de ação contundente como causa da morte.

Argumentos da Acusação

A banca de acusação, liderada pelo promotor de Justiça Fabio Vieira dos Santos (MPRJ), argumenta que Henry morreu após agressões de Jairinho, e que Monique teria sido omissa, contribuindo para o óbito. O promotor destacou o que considera ser o perfil “psicopata” de Jairinho, citando depoimentos de ex-namoradas sobre agressões a outras crianças.

A estratégia do MPRJ focou grande parte do tempo na acusação contra Monique, afirmando que ela manteve o relacionamento com Jairo mesmo ciente de seu comportamento agressivo e ciumento. Para a acusação, a mãe não precisava ter certeza da situação de risco para proteger o filho, e fatores como ausência de dependência econômica e filhos em comum permitiriam o término da relação. Foi relembrado um episódio em que Henry relatou ter apanhado de Jairinho. O advogado assistente de acusação, Cristiano Medina da Rocha, refutou a insinuação da defesa de Jairinho de que a morte poderia ter sido causada por procedimentos de ressuscitação no hospital.

Defesa de Monique Medeiros

O advogado de Monique Medeiros, Hugo Novais, reiterou a tese de que sua cliente não tinha conhecimento das agressões de Jairinho contra Henry, argumentando que ela não teve tempo ou condições de identificar os sinais de perigo. A advogada Florence Rosa Faria dos Santos rebateu acusações de que Monique mantinha o relacionamento em troca de uma “vida de luxo”, questionando a credibilidade dessa motivação.

Florence também levantou a hipótese de que a babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, teria omitido de Monique um suposto episódio de agressões de Jairinho a Henry em 2 de fevereiro. A defesa de Monique utilizou o depoimento da babá, que confirmou ter recebido R$ 100 de Jairinho para, supostamente, comprar uma blusa rasgada por Henry, interpretando o valor como uma forma de “ficar calada”, o que, para a defesa, provaria que Monique não estava ciente das agressões.

Defesa de Dr. Jairinho

O advogado de Dr. Jairinho, Fabiano Lopes, levantou a hipótese de Henry ter sofrido alguma lesão quando estava com o pai, Leniel Borel, antes de passar a noite de 7 de março com Monique e Jairinho. Uma das suspeitas da defesa é um acidente de carro que teria causado a laceração hepática. Lopes chegou a sugerir que Leniel teria entregado uma “bomba relógio” para Monique.

A defesa de Jairinho também expressou suspeitas de uma possível articulação entre o pai do menino e o IML para elaborar um laudo que comprometesse a situação de Jairinho, classificando tal articulação como um “plano de vingança” contra o ex-vereador.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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