Policiais são presos por suspeita de extorsão em Osasco

Policiais presos por extorsão

Dois policiais civis e um policial militar da reserva foram presos após motorista denunciar cobrança de dinheiro para evitar investigação sobre supostas drogas encontradas em pacote transportado durante uma corrida

Uma investigação da Corregedoria da Polícia Civil terminou com a prisão de dois policiais civis e um policial militar da reserva, suspeitos de extorquir um motorista de aplicativo em Osasco, na Grande São Paulo.

Os três foram presos em flagrante na noite de terça-feira (25), dentro do 10º Distrito Policial de Osasco, após a vítima procurar a Corregedoria e denunciar que estaria sendo ameaçada e pressionada a entregar dinheiro aos agentes.

Motorista recebeu R$ 800 para transportar pacote

Segundo o relato apresentado à polícia, o caso começou na segunda-feira (24), quando o motorista recebeu uma solicitação para buscar um pacote e fazer uma entrega dentro de Osasco.

Pelo serviço, ele teria recebido a oferta de R$ 800.

O motorista aceitou a corrida e, segundo seu depoimento, estava acompanhado da esposa. Ao chegar ao local indicado para a entrega, os dois teriam sido abordados por três homens que se identificaram como policiais.

Os agentes teriam afirmado que havia drogas dentro da caixa que o motorista transportava.

De acordo com o depoimento da vítima, ele foi colocado no veículo utilizado pelos policiais e levado ao 10º Distrito Policial de Osasco. A esposa também teria sido conduzida até a delegacia.

Suspeitos teriam exigido R$ 50 mil

Já dentro da delegacia, segundo o relato apresentado à Corregedoria, o motorista teria sido levado para uma sala e informado de que precisaria pagar R$ 50 mil para evitar que uma investigação fosse aberta contra ele.

Ainda de acordo com a denúncia, o valor teria sido posteriormente reduzido para R$ 30 mil.

Como afirmou não ter dinheiro para realizar o pagamento, o motorista teria sido liberado para tentar conseguir a quantia. O carro utilizado na corrida, porém, teria permanecido retido.

Após deixar a delegacia, a vítima começou a receber mensagens e ameaças relacionadas à cobrança.

Motorista procurou a Corregedoria

No dia seguinte, terça-feira (25), o motorista procurou a Corregedoria-Geral da Polícia Civil, na região da Consolação, no centro de São Paulo.

Ele apresentou aos investigadores mensagens e outros elementos que, segundo seu relato, comprovariam as ameaças e as cobranças.

Na Corregedoria, o motorista também teria reconhecido dois investigadores apontados como participantes da abordagem.

Os policiais identificados foram João Galvão de França Filho e Aleksandro Rufino Evaristo.

Corregedoria preparou operação

A partir da denúncia, os investigadores da Corregedoria passaram a acompanhar a negociação.

Segundo informações divulgadas sobre a investigação, foram preparadas cédulas previamente identificadas para acompanhar a entrega do dinheiro.

O encontro foi combinado com os suspeitos e o local escolhido teria sido justamente o 10º Distrito Policial de Osasco.

Por volta das 19h, o motorista compareceu ao local para realizar a entrega combinada.

Os dois policiais civis foram presos em flagrante pela equipe da Corregedoria.

Ligação levou investigadores até policial militar

Durante a operação, os investigadores também fizeram uma ligação para o número de telefone de onde, segundo a denúncia, teriam partido as ameaças enviadas ao motorista.

O aparelho teria tocado dentro da sala de trabalho da delegacia.

Segundo as informações da investigação, o telefone pertencia ao policial militar da reserva Cauê Renzi Lovato, que também foi preso.

A descoberta fez com que os investigadores passassem a apurar a participação do policial militar no caso.

Prisões foram convertidas em preventivas

Os três policiais foram presos em flagrante sob suspeita de extorsão qualificada.

Posteriormente, a autoridade policial pediu à Justiça a conversão das prisões em flagrante para prisões preventivas.

Também foi solicitada a quebra do sigilo dos dados dos celulares apreendidos, com o objetivo de aprofundar a investigação e esclarecer a participação de cada um dos envolvidos.

O policial militar da reserva foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.

A Corregedoria da Polícia Civil também instaurou um procedimento para apurar a conduta funcional dos dois policiais civis.

Investigação continua

As autoridades ainda investigam todas as circunstâncias do caso, incluindo a abordagem do motorista, a origem e o conteúdo do pacote, as ameaças e a eventual participação de cada um dos policiais.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo confirmou as prisões e informou que a investigação continua.

Até o momento, as acusações são objeto de investigação e os envolvidos têm direito à defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.

O caso chama atenção pelo fato de que a prisão dos suspeitos ocorreu dentro de uma delegacia de polícia, após a própria vítima procurar a Corregedoria e colaborar com a investigação.

Fonte UOL

O Linha Direta News continuará acompanhando o caso e atualizará esta reportagem caso novas informações sejam divulgadas pelas autoridades.

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