O juiz José Fernando Steinberg, do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, em São Paulo, determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo. A medida foi proferida devido ao não pagamento de uma indenização por difamação a qual Araújo foi condenado em processo movido pela então deputada federal Carla Zambelli.
A condenação por difamação ocorreu após Araújo ter publicado um texto com críticas a Zambelli, na sequência da perseguição armada de 2022. No texto, o jornalista afirmou que Zambelli integrava uma “seita de doentes de extrema direita” e os descreveu como “mercadores da morte”.
Processado pela ex-parlamentar, Araújo foi absolvido do crime de injúria, mas condenado ao pagamento da indenização. O valor não pago, acrescido de multas e custas processuais, totaliza pouco mais de R$ 2,2 mil.
Conforme decisão publicada em 1º de junho, o magistrado José Fernando Steinberg justificou a conversão da pena restritiva de direitos em privativa de liberdade. Ele ressaltou que “o condenado, apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta, nos termos do artigo 44, parágrafo 4º, do Código Penal”.
A Agência Brasil tentou contato com a defesa de Luan Araújo, mas não obteve sucesso.
Contexto do Caso Luan Araújo e Carla Zambelli
Dias antes do segundo turno da eleição presidencial de 2022, Zambelli e Araújo protagonizaram um incidente que se tornou público. A então deputada federal sacou um revólver e perseguiu o jornalista pelas ruas de São Paulo e dentro de uma lanchonete, um episódio amplamente gravado e noticiado.
Em agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Carla Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão por este episódio, sendo considerada culpada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.
Zambelli, contudo, já havia se dirigido à Itália em julho, buscando evitar o cumprimento de uma pena anterior de 10 anos de prisão. Esta condenação se deu por ela ter sido apontada como mentora de uma invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O Brasil solicitou sua extradição, inicialmente concedida pela Justiça italiana, mas posteriormente cassada em maio pela Corte de Apelação de Roma.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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