Uma nova reviravolta na apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru indica que a candidata de direita, Keiko Fujimori, assumiu a liderança sobre o candidato de esquerda, Roberto Sánchez Palomino, por uma diferença estreita de apenas 561 votos. É crucial ressaltar que este é um resultado parcial, com 98,2% das urnas apuradas, e o desfecho oficial permanece inconcluso devido à existência de atas eleitorais em observação e outras pendências. O pleito envolveu um universo de 27 milhões de eleitores aptos a votar.
Com 9.032.632 votos, Fujimori registrava 50,002% do total, enquanto Sánchez Palomino somava 9.032.092 votos, correspondendo a 49,998%, conforme dados da manhã desta quinta-feira (11).
Contexto da Apuração e Contagem de Votos
Apesar do avançado estágio da apuração, a divulgação do resultado definitivo é esperada apenas para julho. Este atraso se deve à existência de 1,4 mil atas eleitorais sob observação, que são documentos questionados por diversas razões e serão submetidos a recontagem pelo Jurado Nacional Eleitoral (JNE) do Peru. Adicionalmente, restam apurar apenas 20 atas eleitorais de um total de 92,7 mil.
Gustavo Menon, professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), destacou que a maioria das atas em observação provém da região de Lima, onde Keiko Fujimori historicamente concentra maior número de votos, sugerindo que ela pode consolidar sua vantagem.
Análise do Cenário Político Peruano
Para Menon, a decisão voto a voto, em um ambiente de profunda desconfiança nas instituições, acentua a percepção de um sistema político fragmentado, com limitada capacidade de gerar consensos estáveis ou governos previsíveis. O futuro vencedor será o nono presidente do Peru em uma década marcada por crises políticas, incluindo duas renúncias e quatro destituições parlamentares.
A disputa acirrada reflete uma sociedade peruana profundamente dividida em aspectos territoriais, sociais e ideológicos. Enquanto Lima e as frações das classes dominantes projetam um país que apoia a continuidade das políticas privatizantes defendidas pelo fujimorismo e Keiko, os setores populares, especialmente do interior, veem em Sánchez a proposta de refundação do Estado peruano.
Dinâmica da Votação e Perfis dos Candidatos
A apuração do segundo turno tem sido marcada por reviravoltas constantes, caracterizando-a como uma das disputas mais acirradas recentes. Inicialmente, Keiko Fujimori chegou a ter uma vantagem de 200 mil votos com apenas 20% das urnas processadas, impulsionada pelos primeiros resultados de Lima. Contudo, Roberto Sánchez ultrapassou-a em um ponto da contagem, chegando a abrir mais de 40 mil votos de diferença, antes da mais recente virada de Keiko.
Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (condenado por violações de direitos humanos), já perdeu o segundo turno em três eleições anteriores (2011, 2016 e 2021). Do outro lado, Roberto Sánchez Palomino, psicólogo e deputado federal pelo partido Todos pelo Peru, foi ministro do ex-presidente Pedro Castillo, que foi destituído e preso. Sánchez é visto por seus apoiadores como representante do voto rural e indígena.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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