AGU defende extradição de Zambelli para o Brasil

AGU defende envio da ex-deputada ao Brasil para cumprir pena de 5 anos e 3 meses por perseguição armada; decisão caberia à Justiça italiana

A Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou nesta quinta-feira (25) à Corte de Cassação da Itália, última instância do Judiciário italiano, manifestação favorável à extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil.

O pedido se refere à condenação de Zambelli a 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo, relacionados à perseguição do jornalista Luan Araújo, em São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022.

Segundo a AGU, o Brasil apresentou as garantias e os compromissos previstos no Tratado de Extradição entre os dois países e nas normas internacionais de cooperação jurídica em matéria penal.

Novo pedido envolve condenação pela perseguição armada

O processo analisado agora é diferente daquele relacionado à invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

No caso da perseguição, Zambelli foi condenada pelo STF a cinco anos e três meses de prisão.

O episódio ocorreu em outubro de 2022, quando a então deputada se envolveu em uma discussão com Luan Araújo. Durante o conflito, Zambelli sacou uma arma e passou a perseguir o jornalista pelas ruas de São Paulo.

A condenação considerou os crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo.

Por que Zambelli está na Itália?

Zambelli deixou o Brasil antes do início do cumprimento das penas e permaneceu na Itália, país do qual também possui cidadania.

Ela chegou a ser presa em Roma em julho de 2025, depois que o Brasil solicitou sua extradição. O processo, entretanto, passou por diferentes instâncias da Justiça italiana.

Em maio de 2026, a Corte de Cassação rejeitou o pedido de extradição relacionado à condenação pelo caso do CNJ e determinou a libertação da ex-deputada.

Essa decisão não significou que todos os processos de extradição estavam encerrados.

O caso do CNJ é outro processo

A primeira condenação de Zambelli pelo STF foi de 10 anos de prisão, relacionada à invasão do sistema eletrônico do CNJ, em 2023.

Segundo as investigações, o ataque foi utilizado para inserir um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.

Foi essa condenação que motivou o primeiro pedido de extradição rejeitado pela Corte de Cassação em maio.

A decisão italiana gerou reação no Brasil porque os magistrados apontaram questionamentos sobre a imparcialidade de Moraes no processo, já que ele foi considerado vítima e atuou como relator da ação penal.

O que a AGU argumentou no novo pedido

Na manifestação enviada à Corte de Cassação, o governo brasileiro afirmou que está cumprindo os compromissos internacionais assumidos entre Brasil e Itália.

A AGU declarou que sua posição segue os parâmetros previstos no Tratado de Extradição Brasil-Itália e nas normas internacionais de cooperação jurídica em matéria penal.

O objetivo é permitir que Zambelli seja enviada ao Brasil para cumprir a pena decorrente da condenação pelo episódio envolvendo Luan Araújo.

O que estava em jogo em 25 de junho

QuestãoSituação na data da matéria
Pena pelo caso da perseguição5 anos e 3 meses
CrimesPorte ilegal de arma e constrangimento ilegal com arma
Vítima da perseguiçãoLuan Araújo
Local do episódioSão Paulo
Novo pedido de extradiçãoApresentado pela AGU
Tribunal italianoCorte de Cassação
Condenação pelo caso do CNJ10 anos de prisão
Pedido anterior de extradiçãoNegado em maio
Situação na ItáliaZambelli havia sido libertada
Próxima etapaAnálise do novo pedido pela Justiça italiana

A extradição não era automática

A apresentação do pedido pela AGU não significava que Zambelli seria imediatamente enviada ao Brasil.

O pedido ainda precisaria passar pela análise das autoridades italianas competentes.

Esse ponto é especialmente importante porque a Itália já havia rejeitado o pedido anterior relacionado ao caso do CNJ. Portanto, a nova solicitação exigiria uma análise específica das circunstâncias e da condenação relacionada à perseguição armada.

Naquele momento, a expectativa era de que a Justiça italiana analisasse o novo pedido nas semanas seguintes.

Perguntas frequentes

Por que existem dois pedidos de extradição contra Zambelli?

Porque ela possui duas condenações diferentes no Brasil. Uma delas é de 10 anos, pelo caso da invasão dos sistemas do CNJ. A outra é de 5 anos e 3 meses, relacionada à perseguição armada do jornalista Luan Araújo.

A Itália já havia negado a extradição de Zambelli?

Sim, mas o pedido negado em maio estava relacionado à condenação pelo caso do CNJ. O pedido apresentado pela AGU em 25 de junho tratava da segunda condenação, referente à perseguição armada.

Zambelli já estava livre na Itália?

Sim. A Corte de Cassação havia negado o primeiro pedido de extradição em maio, e Zambelli foi libertada. Naquele momento, porém, ainda existia a possibilidade de um novo pedido relacionado à segunda condenação.

Um novo capítulo na disputa pela extradição

O pedido apresentado pela AGU abriu uma nova frente no processo de extradição de Carla Zambelli.

Depois de a Justiça italiana rejeitar a primeira solicitação, relacionada ao caso do CNJ, o governo brasileiro passou a buscar a extradição com base em uma condenação diferente, de 5 anos e 3 meses, pela perseguição armada de Luan Araújo.

Naquele momento, portanto, não havia uma nova decisão italiana sobre esse segundo pedido. O que existia era a manifestação do governo brasileiro defendendo a extradição e a expectativa de análise pela Justiça italiana.

Com informações complementares da Agência Brasil.


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