Os Estados Unidos (EUA) reforçaram a pressão econômica sobre Cuba ao implementar novas sanções contra a empresa estatal Gaesa, gerida pelas Forças Armadas cubanas, e a joint venture Moa Nickel (MNSA), uma parceria entre a Companhia Geral de Níquel de Cuba e a canadense Sherritt International. Essas medidas representam um aumento na campanha de pressão contra o país caribenho.
Impacto Imediato das Sanções
A decisão da Casa Branca levou a Sherritt International, empresa canadense parceira na Moa Nickel, a anunciar a suspensão imediata de suas atividades em Cuba, comunicando o rompimento do contrato aos seus colaboradores cubanos. A companhia declarou que as novas condições alteram substancialmente sua capacidade de operar no curso normal dos negócios, incluindo as operações da joint venture.
A outra entidade alvo das sanções é o Grupo de Administración Empresarial S.A (Gaesa), um conglomerado de empresas estatais cubanas atuante em diversos setores, como construção civil, produção de alimentos e hotelaria. A Casa Branca também sancionou Ania Guillermina Lastres Morera, presidente da Gaesa desde 2022, que é general de brigada, economista e deputada da Assembleia Nacional de Cuba desde 2018.
Análise das Repercussões Econômicas
A historiadora cubana Caridade Massón Sena, professora visitante na Universidade Federal de Uberlândia (UFB), avalia que esta nova onda de sanções pode impactar severamente o setor do níquel. Segundo ela, a indústria do níquel, com a participação da empresa canadense, era uma das poucas que ainda funcionava e gerava divisas importantes para a ilha, e sua paralisação trará consequências.
Massón acrescenta que a Gaesa já vinha sentindo os efeitos das sanções e que as novas medidas podem assustar empresários com negócios em Cuba, incentivando-os a retirar-se do país. Em relação às acusações de 'corrupção' feitas pelos EUA contra a Gaesa, a historiadora pondera que, embora casos de corrupção possam ocorrer em qualquer companhia, não foram apresentadas provas concretas de que os dirigentes da Gaesa estariam desviando recursos do turismo, um dos setores mais lucrativos de Cuba.
Agravamento da Crise e Contexto das Sanções
As sanções recentes, publicadas em uma quinta-feira (8), somam-se a outras pressões econômicas. Entre elas, destaca-se um bloqueio naval contra a Venezuela, previsto para o final de 2025, que visaria impedir a venda de petróleo para Cuba, e a ameaça de tarifas contra países que comercializam petróleo com Havana, iniciada em janeiro. Tais medidas já resultaram em um período de três meses sem recebimento de petróleo pela ilha, exacerbando a crise energética e econômica.
As consequências diretas para os moradores de Havana incluem o aumento de apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e a diminuição da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Consultados pela Agência Brasil, cidadãos descrevem este como o pior momento que o país enfrenta.
A professora Caridade Massón critica a interferência dos EUA na soberania cubana, afirmando que a situação econômica é crítica, com escassez de eletricidade, combustível e medicamentos. Ela opina que o objetivo é 'afogar os cidadãos cubanos pela fome e pela necessidade', e que apenas os cubanos têm o direito de mudar seu sistema econômico e político. Ela também questiona a moralidade do então presidente Trump, que, segundo ela, utilizaria tais conflitos para desviar a atenção de suas próprias acusações, como sua suposta colaboração com Jeffrey Epstein, o financista estadunidense condenado por abuso e exploração sexual de mulheres e crianças.
Posicionamentos Oficiais
Em comunicado, o então secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, justificou as medidas como parte de uma campanha do governo Trump para 'proteger a segurança nacional dos Estados Unidos', confrontando as 'ameaças urgentes' do regime comunista de Cuba e responsabilizando aqueles que lhe fornecem apoio material ou financeiro.
Em resposta, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, declarou que o povo cubano e a comunidade internacional já conhecem a crueldade das ações do governo dos EUA. Ele descreveu as sanções como uma agressão unilateral contra uma nação que busca viver em paz, controlar seu próprio destino e estar livre da interferência imperialista estadunidense.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
Descubra mais sobre Linha Direta News
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
