Este artigo explora as diversas semelhanças entre o Brasil e a África do Sul, que vão muito além das cores verde e amarela compartilhadas por suas seleções de futebol. Originado no contexto da Copa do Mundo em que a África do Sul fez sua estreia, o conteúdo aborda características socioeconômicas e políticas convergentes, além de posições alinhadas em questões internacionais, como a busca pela paz.
O Futebol como Ponto de Convergência Cultural
A conexão entre Brasil e África do Sul no esporte se reflete, por exemplo, na admiração do ex-técnico Joel Santana pela seleção sul-africana, os 'Bafana Bafana'. Em entrevista à Agência Brasil, Santana, que comandou a equipe entre 2008 e 2009, destacou o crescente nível técnico do futebol do país após um período de dez anos, creditando a influência brasileira nesse desenvolvimento e expressando seu apoio à seleção.
A Busca por Cooperação Bilateral e Econômica
Além do esporte, Brasil e África do Sul buscam aprofundar suas parcerias. O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, manifestou em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março, o desejo de expandir a cooperação econômica com o Brasil, visando um nível mais elevado de intercâmbio entre os dois países mais industrializados de seus respectivos continentes. Ele enfatizou a necessidade de atuação conjunta em setores como agricultura, pecuária, energia, mineração e defesa.
Intercâmbio Comercial e Acordos Setoriais
O presidente Lula, por sua vez, apontou que o comércio anual entre as nações, estagnado em US$ 2,3 bilhões por quase 20 anos, tem potencial para alcançar US$ 10 bilhões, sem justificativa política para a baixa. Atualmente, o Brasil exporta principalmente carnes de aves, açúcar e veículos rodoviários, enquanto importa prata, platina e outros minerais da África do Sul. Recentemente, foram firmados acordos para impulsionar o turismo, com foco em conectividade aérea, e parcerias técnicas em agropecuária, visando o combate à febre aftosa e o aprimoramento da vigilância sanitária animal.
Autoridade Moral e o Posicionamento Internacional
A África do Sul, por sua história e superação do apartheid, possui uma notável autoridade moral no cenário global. Durante sua visita ao Brasil, o presidente Ramaphosa alinhou-se à postura brasileira por uma solução pacífica para conflitos no Oriente Médio, denunciando as agressões como violações da Carta das Nações e causas de mortes e destruição.
O Legado do Apartheid e a Defesa dos Direitos Humanos
Especialistas, como William Gonçalves (INCT e UERJ), ressaltam que a experiência sul-africana em superar a segregação racial sem guerra civil confere ao país a legitimidade para condenar violações de direitos humanos. Essa autoridade permitiu à África do Sul criticar as ações de Israel em Gaza e no Líbano, classificando-as como crimes de guerra e genocídio. Em 2015, o país contribuiu para a aprovação das Regras Nelson Mandela pela ONU, que proíbem a tortura no sistema penal e garantem julgamento justo, contrastando com as denúncias de tortura sistemática de palestinos em prisões israelenses.
O Papel Histórico do Brasil
O professor Gonçalves também recorda que, nos anos 1970, o Brasil desempenhou um papel ativo na pressão pelo fim do apartheid, congelando relações diplomáticas e comerciais com Pretória. Esse histórico demonstra um alinhamento duradouro entre os dois países na defesa de princípios éticos e humanitários globais.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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