Alerta de Especialistas: Potenciais Riscos da Inteligência Artificial na Geração de Notícias Falsas em Eleições Futuras

Especialistas alertam sobre os potenciais riscos da inteligência artificial (IA) na campanha eleitoral deste ano, uma preocupação que se insere no foco do ministro Nunes Marques, à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As discussões abordam a hipotética capacidade da tecnologia de intensificar a circulação de notícias falsas em um cenário de polarização política e baixo letramento digital, representando projeções e não fatos confirmados até o momento.

O advogado eleitoral Jonatas Moreth, mestre em Direito Constitucional, compara a atuação da Justiça Eleitoral no combate a desvios com a dinâmica entre doping e antidoping, onde a inovação da manipulação frequentemente precede a capacidade de detecção. O professor Marcus Ianoni, da Universidade Federal Fluminense, expressa dúvidas sobre a suficiência da burocracia existente para lidar com o crescente e sofisticado uso da IA na manipulação eleitoral.

Prioridades do TSE e a Inteligência Artificial

O enfrentamento dos efeitos nocivos da inteligência artificial nas eleições é uma das três prioridades do ministro Nunes Marques na presidência do TSE. Além disso, ele visa privilegiar o debate, assegurar o direito de resposta e promover o diálogo com tribunais regionais para atender às demandas do país.

Jonatas Moreth enfatiza a importância da articulação entre o TSE e os tribunais regionais para uma atuação uníssona. A concordância e unidade dos tribunais podem determinar o modelo de atuação, variando entre uma postura mais intervencionista e proibitiva, como na gestão do ministro Alexandre de Moraes (2022-2024), ou uma abordagem mais liberal.

Moreth manifesta preocupação com um debate que se torne uma arena de ofensas e mentiras, apesar de defender a liberdade de expressão de ideias. Marcus Ianoni observa que Nunes Marques tende a uma interpretação mais expandida da liberdade de expressão em nome do debate, contudo, ressalta que o TSE poderá impor limites, pois a liberdade de expressão não abrange mentiras, calúnia, difamação e injúria, que são infrações previstas em lei.

Desafios na Fiscalização de Pesquisas Eleitorais

O professor Ianoni também manifesta preocupação com a divulgação de pesquisas eleitorais. Ele acredita que o TSE deve estar capacitado para garantir o respeito às regras e combater pesquisas clandestinas que possam confundir os eleitores. Embora a legislação possa ser adequada para evitar resultados fraudulentos, ele enfatiza a necessidade de fiscalização efetiva, comparando a situação à proibição de atravessar o sinal vermelho sem a presença de um guarda ou radar.

Fraudes em pesquisas eleitorais são frequentemente denunciadas pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep). A legislação exige registro na Justiça Eleitoral, nome do estatístico responsável e informações sobre a amostra, o questionário e a aplicação. No entanto, Moreth aponta a ausência de uma auditoria mais precisa e cuidadosa na realização das pesquisas. Ele complementa que, infelizmente, ainda não se encontrou uma fórmula que harmonize a autonomia das empresas com maiores garantias de auditoria e fiscalização.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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