Um ato no Rio de Janeiro, que reuniu centenas de pessoas, marcou o Dia Nacional de Mobilização pela redução da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6×1. A operadora de caixa Fátima Dantas de Souza Alves, de 22 anos, expressou o cansaço dos trabalhadores e o desejo por um dia de folga adicional, que traria “diversos alívios” para sua saúde, vida familiar e aspiração de cursar uma faculdade.
A Mobilização no Rio de Janeiro
A manifestação na capital fluminense contou com a presença de participantes empunhando bandeiras e faixas, que percorreram cerca de 6 quilômetros, incluindo trechos da Avenida Brasil, uma das principais vias da cidade. A caminhada durou aproximadamente duas horas, evidenciando a força do movimento em busca de melhores condições trabalhistas.
Contexto Nacional e a PEC 221/2019
O evento no Rio de Janeiro integra um dia nacional de mobilização com atos previstos em 21 cidades de 14 estados e no Distrito Federal. A ação é articulada por diversas organizações, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e as frentes populares Povo Sem Medo e Brasil Popular.
O objetivo central dos ativistas é pressionar pela tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. Esta PEC visa reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas e garantir dois dias de repouso semanal remunerado, sem qualquer redução salarial para os trabalhadores.
Tramitação da Proposta no Senado
A PEC 221/2019 foi aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio, mas encontra-se parada no Senado, aguardando o despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Caso o Senado aprove o texto sem alterações de mérito, a proposta seguirá para promulgação pelo Congresso. Contudo, se houver mudanças, a PEC retornará para nova análise na Câmara.
No início de junho, o senador Alcolumbre declarou que a PEC deveria ser analisada “sem pressa” e que poderia haver “melhorias” no texto. Centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais têm um encontro agendado com Alcolumbre para destravar a pauta. Além disso, a CUT criou o site “Na Pressão” para que a população possa enviar mensagens aos parlamentares e exercer pressão.
Vozes da Luta: Ativistas e Apoio Popular
O vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo (PSOL), um dos criadores do VAT e articuladores do movimento, classificou a virada de semestre como um “momento crucial” e criticou a lentidão na tramitação da PEC. Ele afirmou que a classe trabalhadora “não recuará”, comparando a luta atual a conquistas históricas como o décimo terceiro salário e as férias remuneradas.
Gabriel Siqueira, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), destacou o amplo apoio da população que cruzou com os ativistas, demonstrando que a luta pelo fim da escala 6×1 ganhou adesão da classe trabalhadora brasileira. Márcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, ressaltou que sua categoria é uma das mais afetadas pela jornada de uma folga semanal e defendeu que mais dias de descanso resultariam em maior dedicação ao trabalho.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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