Este artigo explora um cenário hipotético em que o Haiti participa da Copa do Mundo de 2026, com foco na sua possível partida contra o Brasil pelo Grupo C. No cenário descrito, este jogo ocorreria na sexta-feira (19), às 21h30 (horário de Brasília), na Filadélfia, Estados Unidos. A seleção haitiana, neste contexto fictício, entraria em campo com um uniforme sem referências à sua luta anticolonial, seguindo exigências da FIFA. Além do campo, as relações entre Brasil e Haiti historicamente transcendem o futebol, englobando cultura, acolhimento humanitário e solidariedade.
No ranking da FIFA, as duas seleções hipoteticamente estariam em extremos opostos: o Brasil em sexto lugar e o Haiti na lanterna. Os Les Grenadiers (Os Granadeiros), apelido da equipe haitiana, retornariam ao Mundial 50 anos depois de sua primeira participação em 1974. Este feito seria histórico, ocorrendo em meio a uma grave crise política e humanitária no país, agravada por desastres naturais como o terremoto de 2010.
Orgulhosos de sua trajetória nas eliminatórias, os Granadeiros – em referência a soldados que lançavam granadas – acreditam que o futebol tem a capacidade de unir e ser um motivo de celebração. O meia Jean-Ricner Bellegarde, em entrevista à FIFA após uma suposta estreia contra a Escócia (derrota por 1 a 0, apesar do domínio da partida), afirmou: "Estou sorrindo porque precisamos manter o pensamento positivo: podemos competir neste nível".
Futebol como Instrumento de Paz e Conexão
Dentro das quatro linhas, um hipotético encontro entre Brasil e Haiti também celebraria o futebol como instrumento de uma cultura de paz. Por anos, o Haiti foi um dos países onde a seleção brasileira conquistou mais fãs, que coloriam ruas e casas de verde-amarelo a cada Copa.
Em um dos momentos mais emblemáticos da relação real entre os países, em 2004, a convite do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil levou estrelas como Ronaldo Nazário e Ronaldinho Gaúcho para um amistoso em Porto Príncipe, capital haitiana. O "Jogo da Paz", como foi chamado, marcou o início de uma campanha de desarmamento no país após intensos conflitos armados, visando criar um laço entre a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH), comandada pelo Brasil, e a população local.
Carlos Alberto Parreira, técnico da seleção brasileira à época, relembrou o cenário durante o deslocamento do comboio até o estádio: "Eram pessoas aglomeradas nas ruas, dos dois lados, em áreas muito pobres, favelas mesmo, mas com sorriso, acenando". Ele acrescentou que "Eles conheciam todos os jogadores, chamavam pelo nome Ronaldo, Ronaldinho, não paravam. Naquele momento, naquelas horas, o país esqueceu a guerra".
Com uma hipotética classificação histórica para esta edição da Copa, passados mais de 20 anos após o Jogo da Paz, os haitianos direcionariam agora sua torcida aos heróis nacionais. Entre eles, o centroavante Duckens Nazon, artilheiro dos Les Grenadiers, com 44 gols em mais de 80 jogos. No fim do ano passado, Nazon teria declarado à FIFA que os haitianos mereciam alegria e felicidade, justificando sua dedicação ao time. Nascido na Europa, como outros jogadores haitianos, Nazon teria sido decisivo na classificação, fazendo três gols em uma única partida, como no empate em 3 a 3 contra a Costa Rica pelas eliminatórias.
Contexto Político-Social do Haiti
Desde sua independência, a estabilidade no Haiti tem se mostrado incompatível com interesses estrangeiros representados por elites locais, atuando como um fator de desestabilização, conforme avaliado pelo professor de História Gabriel Léccas, que pesquisa a revolução haitiana. O país é governado atualmente pelo primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé, apoiado pelos Estados Unidos, e convive com grupos políticos armados que controlam a capital.
Este quadro reflete novas relações coloniais impostas por potências e seus interesses econômicos no pequeno país, conforme acrescentou Léccas, mestre em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Após uma revolução liderada por pessoas escravizadas, o Haiti conquistou a independência em 1804. Esse fato histórico, que ainda gera incômodo, é hipoteticamente o motivo pelo qual a FIFA teria vetado menção à revolta na camisa da seleção haitiana, exigindo sua substituição, similar a uma exigência anterior do Comitê Olímpico Internacional (COI) em Jogos de Inverno.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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