A Justiça do Distrito Federal determinou o bloqueio e o arresto de ações do Banco de Brasília (BRB) pertencentes a indivíduos e fundos investigados na Operação Compliance Zero, que apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. A decisão liminar, concedida pela 13ª Vara Cível do DF a pedido do próprio BRB, atinge participações acionárias avaliadas em aproximadamente R$ 376,4 milhões, impedindo a alienação desses ativos.
Detalhes da Decisão e Partes Envolvidas
O processo corre sob sigilo, mas o BRB divulgou um fato relevante informando sobre o ajuizamento do pedido de bloqueio. A medida cautelar afeta ações vinculadas a diversas pessoas físicas e fundos de investimento, incluindo Deneb Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, Borneo Fundo de Investimento, Siracusa Fundo de Investimento, Delta Fundo de Investimento e Asterope Fundo de Investimento. Empresas como Blue Solutions Asset Management e Casamata Administração e Participações também estão entre as atingidas.
Segundo informações do Portal Metrópoles, empresários como Daniel Vorcaro (Banco Master), Maurício Quadrado (ex-sócio), Nelson Tanure (investidor) e João Carlos Mansur (fundador da Reag) teriam se tornado sócios do BRB. A aquisição de ações teria ocorrido por meio de terceiros apontados como “laranjas”, resultando em uma participação de cerca de 25% do capital do BRB pelo grupo Master/Reag.
Objetivo do BRB e Investigação Interna
No fato relevante, o BRB esclareceu que a tutela cautelar visa possibilitar o futuro ressarcimento de prejuízos decorrentes de operações com o Banco Master, que atualmente se encontra em liquidação extrajudicial. A instituição declarou no processo que a entrada dos empresários investigados no capital social ocorreu de forma supostamente ilegal.
O banco também informou o envio de um relatório preliminar de sua investigação interna à Polícia Federal. A apuração é conduzida pelo escritório Machado Meyer, com o apoio da consultoria Kroll, focando na lisura das operações.
Prejuízo Estimado e Contexto da Operação Compliance Zero
O BRB está sob investigação pela aquisição de carteiras do Banco Master que somam mais de R$ 12 bilhões, apresentando indícios de fraude. A estimativa inicial aponta um prejuízo de, no mínimo, R$ 5 bilhões, com o valor exato a ser conhecido com a divulgação do balanço, prevista para março.
A Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025. Na ocasião, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado judicialmente e, posteriormente, demitido.
Rejeição da Compra do Banco Master pelo Banco Central
Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central (BC) rejeitou oficialmente a proposta de compra do Banco Master pelo BRB, após mais de cinco meses de análise. A operação previa a aquisição de 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total do Master.
O negócio, anunciado em março do mesmo ano, já enfrentava resistência no mercado devido ao modelo de captação percebido como arriscado e à questionável qualidade de parte dos ativos da instituição. O Ministério Público Federal, inclusive, havia recomendado ao BRB a comprovação da lisura e fidedignidade dos ativos antes de qualquer aquisição, alertando para a possibilidade de passivos ocultos e ativos inflados. Com a rejeição do BC e o avanço das investigações, o BRB busca recompor sua liquidez e índices de capitalização, além de assegurar um eventual ressarcimento judicial dos prejuízos.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
Descubra mais sobre Linha Direta News
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
