O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu proibir a gravação das conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seus advogados na Penitenciária Federal em Brasília, onde o empresário está detido em um presídio de segurança máxima.
Contexto da Deliberação Judicial
A decisão foi proferida na noite de segunda-feira (9), após os advogados de Vorcaro solicitarem ao Supremo a flexibilização de medidas de segurança inerentes ao funcionamento do presídio. Além de vetar as gravações, o ministro autorizou que os advogados realizem visitas sem agendamento prévio, tomem notas escritas durante os encontros e levem cópias impressas dos processos que tramitam contra o banqueiro.
André Mendonça é o relator das investigações da Operação Compliance Zero, que apura as alegadas fraudes no Banco Master.
A Prisão de Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro foi preso em 4 de outubro, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, sendo inicialmente custodiado na Penitenciária de Potim, no interior paulista. Em 6 de outubro, ele foi transferido para a Penitenciária Federal em Brasília.
No ano anterior, o empresário já havia sido alvo de um mandado de prisão na mesma operação, obtendo na ocasião o direito à liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica. A nova prisão foi motivada por mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da operação, nas quais Vorcaro supostamente ameaçava jornalistas e pessoas que teriam contrariado seus interesses.
Operação Compliance Zero e Alegações de Fraude
A Operação Compliance Zero investiga supostas fraudes bilionárias no Banco Master, que teriam causado um rombo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para ressarcimento de investidores, afetando mais de 1,5 milhão de clientes.
Conforme os investigadores, o Banco Master, controlado por Vorcaro, teria expandido suas operações rapidamente ao oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDB) com rentabilidade significativamente superior à média do mercado. Para sustentar esse modelo, a instituição supostamente assumiu riscos excessivos e estruturou operações que inflavam artificialmente seu balanço, enquanto a liquidez real, essencial para o ressarcimento de investidores, se deteriorava.
O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025. Em janeiro, a mesma medida foi estendida à gestora de investimentos Reag e ao Will Bank.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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