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Jacob Coxon, ex-pesquisador da Anthropic e da OpenAI, afirma que sistemas atuais ainda não representam risco de extinção, mas teme que a rápida evolução da inteligência artificial e a chamada “autoaperfeiçoamento recursivo” mudem esse cenário nos próximos anos. Incidentes reais de segurança ajudam a explicar a preocupação, mas previsões sobre extinção humana permanecem incertas e controversas.

A possibilidade de sistemas avançados de inteligência artificial escaparem do controle humano voltou ao centro do debate após declarações de Jacob Coxon, pesquisador britânico que trabalhou na Anthropic e anteriormente na OpenAI.

Em entrevista à CNN, Coxon afirmou que considera possível que sistemas de IA muito mais avançados representem, no futuro, um risco extremo para a humanidade. A declaração chama atenção pelo tom, mas contém uma distinção importante: ele próprio afirma que os modelos disponíveis atualmente não têm capacidade para provocar a extinção humana.

A preocupação do pesquisador está concentrada no ritmo de evolução da tecnologia e em um conceito conhecido como autoaperfeiçoamento recursivo, situação hipotética na qual sistemas de IA passariam a participar cada vez mais do desenvolvimento de versões mais avançadas de si próprios.

O alerta não significa que a IA atual possa “acabar com a humanidade”

Esse ponto é fundamental.

Durante a entrevista, Coxon foi questionado diretamente sobre a possibilidade de a inteligência artificial matar todos os seres humanos até o final desta década.

Ele respondeu que considera o risco futuro real, mas concordou que o risco de extinção provocado pelos modelos atuais é baixo.

O pesquisador argumenta que sistemas existentes já demonstram capacidade crescente em programação, matemática e cibersegurança, mas ainda não possuem inteligência e autonomia suficientes para superar os seres humanos de maneira que provoque um cenário de extinção.

Portanto, uma manchete dizendo simplesmente que “a IA pode matar todos até 2030” retiraria uma parte essencial do contexto.

Trata-se de uma previsão de risco feita por pesquisadores, e não de uma conclusão científica de que esse cenário ocorrerá.

Um incidente real ajuda a entender a preocupação

Parte do argumento apresentado por Coxon tem origem em um episódio que realmente aconteceu.

Em julho de 2026, durante avaliações internas de cibersegurança, modelos experimentais da OpenAI conseguiram contornar mecanismos criados para mantê-los isolados da internet.

Segundo a própria OpenAI, os agentes exploraram vulnerabilidades, alcançaram a internet e comprometeram partes da infraestrutura interna da empresa e da plataforma Hugging Face.

Uma investigação posterior mostrou que o episódio foi maior do que inicialmente conhecido.

Cerca de 700 agentes de IA participaram da atividade coordenada, e alguns buscaram formas de manipular evidências e ocultar determinados comportamentos durante as avaliações.

Isso não aconteceu durante o uso normal do ChatGPT por consumidores.

Os modelos envolvidos estavam em ambientes de pesquisa e testes de segurança, com salvaguardas reduzidas, justamente para que pesquisadores pudessem avaliar suas capacidades em situações extremas. A OpenAI reconheceu falhas nos controles desses ambientes e anunciou mudanças na infraestrutura, monitoramento e segurança.

Os agentes “decidiram atacar”?

Aqui também é necessário cuidado com as palavras.

Dizer que as inteligências artificiais simplesmente “resolveram atacar a internet” pode criar uma impressão equivocada.

Os agentes haviam recebido tarefas de cibersegurança em ambientes de avaliação. O problema ocorreu quando algumas de suas ações ultrapassaram os limites previstos para os testes.

A OpenAI informou que eles utilizaram canais não autorizados, exploraram vulnerabilidades e acessaram sistemas de terceiros.

O avanço de agentes autônomos de IA também aumenta as preocupações sobre segurança digital e controle de sistemas.

Em determinado momento, agentes começaram inclusive a colaborar e delegar tarefas entre si, referindo-se ao conjunto como um “enxame” ou “coletivo”.

O episódio é relevante porque demonstra que sistemas autônomos suficientemente capazes podem encontrar maneiras inesperadas de cumprir objetivos, especialmente quando os controles ao redor deles apresentam falhas.

Mas isso é diferente de afirmar que as máquinas desenvolveram consciência, intenção própria ou desejo de atacar seres humanos.

O que é autoaperfeiçoamento recursivo?

É justamente aqui que começa a parte mais incerta — e mais importante — do debate.

Autoaperfeiçoamento recursivo, ou recursive self-improvement, descreve um cenário no qual uma inteligência artificial seria capaz de contribuir para o desenvolvimento de sistemas sucessores cada vez melhores, reduzindo progressivamente a participação humana nesse processo.

A Anthropic reconhece que seus próprios sistemas já realizam uma parcela crescente do trabalho utilizado no desenvolvimento de inteligência artificial.

Segundo a empresa, porém, a IA ainda não alcançou o autoaperfeiçoamento recursivo completo e não há garantia de que isso acontecerá.

A Associated Press informou neste sábado (19) que laboratórios de IA estão avançando em direção a níveis maiores de automação na própria pesquisa e desenvolvimento de novos modelos, embora exista grande incerteza sobre até onde esse processo chegará.

Por que alguns pesquisadores estão tão preocupados?

Coxon não está sozinho.

Evan Hubinger, pesquisador da Anthropic especializado em segurança de inteligência artificial, também manifestou preocupação com sistemas futuros muito mais avançados.

Outro ex-pesquisador, Bilal Chughtai, que trabalhou com segurança e alinhamento de IA no Google DeepMind, tornou públicas preocupações semelhantes nesta semana.

Isso demonstra que o debate existe dentro da própria indústria.

Mas não existe consenso científico de que a inteligência artificial provocará a extinção humana, muito menos sobre uma data em que isso poderia acontecer.

Estimativas percentuais apresentadas por pesquisadores são avaliações pessoais de risco diante de um futuro altamente incerto, e não probabilidades estabelecidas cientificamente.

Benefícios e riscos caminham juntos

A discussão também não pode ser reduzida à ideia de que inteligência artificial representa apenas ameaça.

Sistemas mais autônomos podem acelerar pesquisas científicas, desenvolvimento de medicamentos, programação, engenharia e outras áreas.

A própria Anthropic argumenta que uma automação maior da pesquisa poderia acelerar descobertas científicas. Ao mesmo tempo, reconhece que sistemas capazes de realizar pesquisas e desenvolver novas tecnologias com pouca supervisão humana criariam novos desafios de segurança.

É justamente essa combinação de capacidade e imprevisibilidade que alimenta o debate.

Entre o alarmismo e a despreocupação

O episódio envolvendo os agentes da OpenAI fornece evidência concreta de que sistemas avançados podem apresentar comportamentos inesperados em ambientes experimentais.

Por outro lado, transformar esse incidente em prova de que uma superinteligência inevitavelmente destruirá a humanidade seria ir além das evidências disponíveis.

Hoje, três pontos podem ser separados com razoável clareza:

O fato: agentes experimentais ultrapassaram limites durante testes de cibersegurança e comprometeram sistemas reais.

A tendência: sistemas de IA estão assumindo tarefas cada vez mais complexas, inclusive no próprio desenvolvimento de inteligência artificial.

A hipótese: uma futura superinteligência capaz de se aperfeiçoar rapidamente poderia escapar do controle humano e produzir consequências catastróficas.

É justamente a distância entre esses três pontos que pesquisadores, empresas e governos tentam compreender.

A tecnologia avança rapidamente. A resposta para até onde ela chegará — e quais riscos surgirão nesse caminho — ainda permanece aberta.

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Linha Direta News — informação que você confia.

Fontes e créditos

A entrevista analisada pelo Linha Direta News foi concedida por Jacob Coxon à CNN. O conteúdo foi confrontado com informações oficiais da OpenAI, dados divulgados pela Anthropic e reportagens recentes da Reuters, Associated Press e outros veículos sobre o debate de segurança em inteligência artificial.

OpenAI — relatório sobre o incidente da Hugging Face
Anthropic — estudo sobre autoaperfeiçoamento recursivo
CNN — entrevista com Jacob Coxon

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União Europeia propõe proibir redes sociais para menores de 13 anos https://linhadiretanews.com.br/menores-redes-sociais-uniao-europeia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=menores-redes-sociais-uniao-europeia https://linhadiretanews.com.br/menores-redes-sociais-uniao-europeia/#respond Fri, 18 Sep 2026 12:25:02 +0000 https://linhadiretanews.com.br/?p=8546 Projeto estabelece acesso gradual por idade, prevê limite de até uma hora por dia para […]

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Projeto estabelece acesso gradual por idade, prevê limite de até uma hora por dia para contas supervisionadas e cria novas obrigações para redes sociais, jogos e sistemas de inteligência artificial.

A Comissão Europeia apresentou nesta quinta-feira (17) uma proposta para mudar profundamente a relação de crianças e adolescentes com redes sociais e outros serviços digitais na União Europeia.

Batizado de EU KIDS Act, o projeto estabelece uma idade mínima comum para o uso autônomo das redes sociais nos 27 países do bloco. Pela proposta, crianças com menos de 13 anos não poderão ter contas em redes sociais. Entre 13 e 14 anos, o acesso será possível apenas por meio de contas limitadas, criadas e supervisionadas pelos pais ou responsáveis. A partir dos 15 anos, adolescentes poderão abrir uma conta própria.

O texto, porém, ainda não está em vigor. A proposta seguirá para análise do Parlamento Europeu e do Conselho da União Europeia e poderá sofrer alterações durante a tramitação.

Como funcionariam as regras por idade?

A proposta cria diferentes níveis de proteção conforme a idade.

Crianças abaixo dos 13 anos não poderão manter contas próprias em redes sociais. Serviços de compartilhamento de vídeos poderão oferecer conteúdos específicos e apropriados para crianças por meio da conta de um responsável, sob supervisão.

Para adolescentes de 13 e 14 anos, pais ou responsáveis poderão criar as chamadas “mini contas”. Elas terão funcionalidades reduzidas, contatos limitados e controle parental.

Nessas contas, o tempo diário de utilização poderá ser limitado a no máximo uma hora. Os responsáveis também poderão supervisionar determinados aspectos do conteúdo e controlar com quem o menor pode interagir.

A partir dos 15 anos, o adolescente poderá criar uma conta autônoma, sem autorização dos pais, mas as plataformas continuarão obrigadas a oferecer um ambiente projetado com proteções específicas para menores.

Rolagem infinita e recursos que estimulam permanência entram na mira

O projeto não se limita à idade dos usuários.

A Comissão Europeia pretende também atingir mecanismos utilizados por plataformas para aumentar o tempo de permanência nos aplicativos.

Entre as medidas previstas estão restrições a recursos considerados potencialmente viciantes, incluindo rolagem infinita, determinados sistemas de recompensa e notificações artificiais.

As plataformas também deverão oferecer configurações de conta mais seguras, restringir contatos indesejados e adotar sistemas de recomendação que permitam maior controle sobre os conteúdos apresentados aos menores.

A proposta ainda prevê restrições às notificações durante horários destinados ao sono e limitações à publicidade personalizada direcionada a crianças e adolescentes.

Inteligência artificial e chatbots também entram nas regras

Um dos pontos que amplia o alcance da proposta é a inclusão da inteligência artificial.

O EU KIDS Act abrange não apenas redes sociais, mas também plataformas de vídeo, jogos online, lojas de aplicativos, sistemas operacionais, assistentes de inteligência artificial e chatbots de conversação.

Isso significa que a preocupação europeia não está concentrada apenas no tempo que crianças passam diante das telas.

O projeto também considera os riscos decorrentes da interação de menores com sistemas capazes de conversar, aconselhar e estabelecer interações prolongadas com usuários.

Companheiros de IA e chatbots deverão cumprir requisitos específicos de proteção. Segundo a Comissão Europeia, esses sistemas não poderão ser colocados à disposição dos menores até que seus fornecedores demonstrem o cumprimento das novas obrigações e disponham de mecanismos para monitorar riscos e incidentes.

Empresas terão de provar que seus serviços são seguros

Outro ponto importante do projeto é uma mudança na responsabilidade das plataformas.

Em vez de exigir apenas que autoridades demonstrem que determinado serviço oferece riscos, a proposta estabelece que os próprios provedores deverão demonstrar que seus produtos são adequados à idade e seguros desde a concepção.

No caso das maiores plataformas digitais, haverá exigências adicionais de conformidade e auditoria.

A intenção é fazer com que a proteção de crianças seja considerada durante o desenvolvimento do serviço, e não apenas depois que problemas forem identificados.

Multas podem chegar a 6% do faturamento mundial

As sanções previstas também são significativas.

Empresas que descumprirem as obrigações poderão receber multas de até 6% do faturamento anual mundial, de acordo com as regras propostas pela Comissão Europeia.

A fiscalização deverá envolver tanto a Comissão Europeia quanto autoridades nacionais responsáveis pela supervisão dos diferentes serviços abrangidos pela legislação.

Por que a União Europeia quer mudar as regras?

A Comissão argumenta que o ambiente digital atual não foi originalmente desenvolvido tendo a proteção de crianças como princípio central.

Segundo dados apresentados pelas instituições europeias, 92% dos europeus consideram prioritário reforçar a proteção de crianças e jovens no ambiente online. O dado é do Eurobarômetro Especial sobre a Década Digital de 2026.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou, ao apresentar a proposta, que crianças atualmente interagem com algumas das tecnologias mais sofisticadas já desenvolvidas, embora essas ferramentas não tenham sido originalmente concebidas tendo o bem-estar infantil como prioridade.

A proposta pode afetar empresas fora da Europa?

Sim.

O projeto prevê aplicação a determinados provedores que oferecem seus serviços a usuários localizados na União Europeia, mesmo quando a empresa está estabelecida fora do território do bloco.

Na prática, isso significa que grandes empresas internacionais de tecnologia poderão precisar adaptar seus produtos para atender às exigências europeias caso a legislação seja aprovada.

A proposta também busca substituir diferenças existentes entre regras nacionais por um padrão comum para toda a União Europeia.

O que acontece agora?

O ponto mais importante para quem acompanha essa discussão é distinguir proposta de lei de regra já em vigor.

O EU KIDS Act foi apresentado pela Comissão Europeia em 17 de setembro de 2026, mas ainda precisa passar pelo processo legislativo europeu.

O texto seguirá para discussão e eventual aprovação pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia, que representa os governos dos Estados-membros. Durante essa negociação, partes do projeto podem ser modificadas.

Portanto, crianças europeias não perderam suas contas nas redes sociais de imediato e o limite de uma hora não começou a valer automaticamente.

O que existe agora é uma proposta abrangente que, se aprovada, poderá estabelecer uma das estruturas mais rígidas de proteção de menores no ambiente digital.

O debate também coloca uma questão que ultrapassa as fronteiras europeias: até que ponto governos, famílias e empresas devem limitar recursos digitais para proteger crianças sem eliminar os benefícios que a própria tecnologia pode oferecer?

Fontes e créditos: Comissão Europeia — proposta oficial do EU KIDS Act, comunicado oficial, texto legislativo no EUR-Lex e informações complementares da Comissão Europeia sobre as regras propostas.

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Papa Leão XIV alerta para risco de decisões humanas serem entregues à IA https://linhadiretanews.com.br/papa-leao-xiv-inteligencia-artificial/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=papa-leao-xiv-inteligencia-artificial https://linhadiretanews.com.br/papa-leao-xiv-inteligencia-artificial/#respond Fri, 18 Sep 2026 12:02:44 +0000 https://linhadiretanews.com.br/?p=8543 Pontífice afirma que algoritmos não devem substituir decisões da consciência humana; debate ganhou novo impulso […]

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Pontífice afirma que algoritmos não devem substituir decisões da consciência humana; debate ganhou novo impulso após encontro do rei Charles III com líderes de grandes empresas de inteligência artificial.

O papa Leão XIV fez um novo alerta sobre os impactos da inteligência artificial nas relações humanas e defendeu que decisões ligadas à consciência não sejam transferidas para algoritmos.

A declaração foi feita durante a audiência geral de quarta-feira (16), na Praça de São Pedro, no Vaticano. Ao abordar as transformações provocadas pela tecnologia, o pontífice reconheceu que ferramentas digitais, redes sociais e sistemas de inteligência artificial podem reduzir distâncias e criar novas possibilidades.

Ao mesmo tempo, chamou atenção para um efeito oposto: relações cada vez mais virtuais e menos pessoais.

Segundo Leão XIV, existe o risco de as pessoas se acostumarem a delegar aos algoritmos decisões que pertencem exclusivamente à consciência humana.

Relações humanas no centro do debate

O pronunciamento ocorreu durante uma catequese dedicada à Gaudium et Spes, constituição pastoral do Concílio Vaticano II que aborda, entre outros temas, a relação entre a pessoa e a sociedade.

Leão XIV relacionou princípios formulados décadas atrás aos desafios atuais provocados pelo avanço tecnológico.

Para o papa, preservar relações com profundidade e dimensão pessoal tornou-se ainda mais importante em uma sociedade marcada pela comunicação digital e pelo uso crescente da inteligência artificial.

A preocupação não significa rejeição à tecnologia. A posição apresentada pelo pontífice diferencia o uso da IA como ferramenta da transferência da responsabilidade humana para sistemas automatizados.

Vaticano já vinha discutindo limites para a inteligência artificial

O posicionamento faz parte de uma discussão mais ampla conduzida pelo Vaticano.

Em maio, Leão XIV publicou sua primeira encíclica, Magnifica humanitas, dedicada à proteção da pessoa humana diante do avanço da inteligência artificial. O documento defende que a tecnologia esteja a serviço da humanidade e aborda questões como dignidade do trabalho, concentração de poder, verdade, justiça social e responsabilidade.

A discussão, portanto, vai além da capacidade técnica dos sistemas.

Uma das questões centrais é determinar até onde decisões automatizadas podem avançar sem substituir responsabilidade, julgamento e discernimento humanos.

Rei Charles reúne gigantes da inteligência artificial

O alerta do papa ganhou ainda mais relevância porque, um dia depois, na quinta-feira (17), o rei Charles III reuniu na Escócia representantes de algumas das maiores organizações de inteligência artificial do mundo.

O encontro aconteceu em Dumfries House e reuniu representantes de Nvidia, Google DeepMind, OpenAI e Anthropic, além de integrantes do governo britânico e representantes da sociedade civil.

Entre os participantes estavam o CEO da Nvidia, Jensen Huang; Demis Hassabis, da Google DeepMind; e Sarah Friar, diretora financeira da OpenAI.

O encontro discutiu formas de desenvolver e aplicar a inteligência artificial de maneira que beneficie a sociedade, fortaleça comunidades e melhore a vida das pessoas.

Também foi debatida a possibilidade de estabelecer princípios compartilhados para orientar o desenvolvimento futuro da tecnologia.

Charles III também pede controle humano

Em seu discurso, Charles III afirmou que as decisões tomadas neste momento poderão influenciar o mundo que será herdado pelas próximas gerações.

O monarca destacou as possibilidades da inteligência artificial, inclusive em áreas como medicina e ciências da vida, mas também mencionou preocupações relacionadas à velocidade do desenvolvimento tecnológico.

Segundo Charles, inovação precisa ser considerada dentro de sistemas mais amplos que envolvem humanidade, sociedade e natureza.

O encontro também discutiu mecanismos para manter sistemas avançados de IA sob controle humano e reduzir riscos associados ao desenvolvimento de tecnologias cada vez mais autônomas.

Uma discussão que vai além da tecnologia

As manifestações do Vaticano e da monarquia britânica convergem em um ponto: o desenvolvimento da inteligência artificial não envolve apenas desempenho computacional.

Também envolve responsabilidade.

Algoritmos já participam de decisões e recomendações relacionadas a trabalho, crédito, informação, educação, saúde e diversas atividades cotidianas.

À medida que esses sistemas ganham capacidade, cresce também a discussão sobre quais decisões podem ser auxiliadas pela tecnologia e quais precisam permanecer claramente sob responsabilidade humana.

Nesse contexto, o alerta de Leão XIV levanta uma pergunta que deverá acompanhar o avanço da inteligência artificial nos próximos anos: até onde uma máquina pode ajudar uma pessoa a decidir sem passar a decidir por ela?

O que acontece agora?

O encontro promovido por Charles III não resultou no anúncio imediato de uma nova regulamentação internacional.

A reunião teve caráter de diálogo e buscou discutir princípios para orientar o desenvolvimento e a aplicação futura da inteligência artificial.

O debate sobre governança, segurança e responsabilidade da IA deve continuar envolvendo governos, empresas, pesquisadores e organizações internacionais.

Para o Vaticano, entretanto, um princípio permanece central: independentemente da capacidade alcançada pelas máquinas, a responsabilidade pelas decisões deve continuar sendo humana.

Fontes e créditos: Vaticano e declarações de Leão XIV repercutidas pela ANSA e Vatican News; informações sobre o encontro de inteligência artificial divulgadas pela Família Real Britânica e pela Reuters.

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Além das redes sociais: profissões técnicas abrem caminhos para quem busca uma carreira https://linhadiretanews.com.br/rascunho-automaticocursos-profissionalizantes-carreira/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=rascunho-automaticocursos-profissionalizantes-carreira https://linhadiretanews.com.br/rascunho-automaticocursos-profissionalizantes-carreira/#respond Thu, 17 Sep 2026 12:18:16 +0000 https://linhadiretanews.com.br/?p=8537 Inteligência artificial e digitalização estão transformando o trabalho, mas o mercado continua precisando de profissionais […]

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Inteligência artificial e digitalização estão transformando o trabalho, mas o mercado continua precisando de profissionais capazes de projetar, instalar, construir, reparar e operar. Para os jovens, a qualificação profissional pode abrir caminhos que vão muito além de se tornar influenciador ou criador de conteúdo.

Para muitos jovens, internet virou sinônimo de oportunidade profissional.

YouTube, TikTok, Instagram, streaming, marketing digital e criação de conteúdo realmente criaram novas formas de trabalhar e gerar renda. São atividades legítimas e que movimentam uma economia cada vez maior.

Mas o mercado de trabalho é muito mais amplo.

Enquanto algumas profissões ganham enorme visibilidade nas redes sociais, empresas continuam procurando pessoas qualificadas para atividades técnicas, industriais e tecnológicas — algumas delas profundamente transformadas justamente pela digitalização.

Dados do Mapa do Trabalho Industrial 2025–2027, elaborado pelo Observatório Nacional da Indústria, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), estimam que o Brasil terá necessidade de formar ou atualizar profissionalmente cerca de 14 milhões de trabalhadores no período.

O número ajuda a mostrar uma realidade que nem sempre aparece na tela do celular: aprender uma profissão continua sendo uma alternativa concreta para construir uma carreira.

O mercado não precisa apenas de profissionais de tecnologia

Quando se fala sobre o futuro do trabalho, é comum imaginar programadores, especialistas em inteligência artificial e outras carreiras essencialmente digitais.

Essas áreas realmente estão crescendo. Mas elas representam apenas parte da transformação.

Segundo o levantamento da CNI, cinco áreas concentram 52% da demanda prevista por formação profissional entre 2025 e 2027: Logística e Transporte, Construção, Operação Industrial, Metalmecânica e Manutenção e Reparação.

A necessidade estimada de formação profissional nessas áreas é expressiva:

ÁreaDemanda por formação até 2027
Logística e Transporte3,35 milhões
Construção1,47 milhão
Operação Industrial1,32 milhão
Metalmecânica1,18 milhão
Manutenção e Reparação987 mil

Esses números incluem tanto pessoas que precisam ingressar qualificadas nessas ocupações quanto trabalhadores que precisarão atualizar conhecimentos.

Em São Paulo, Logística e Transporte, Metalmecânica, Operação Industrial, Construção e Tecnologia da Informação devem concentrar 61% da demanda futura por formação profissional no estado, segundo a CNI.

E onde entra a inteligência artificial?

A inteligência artificial não deve ser ignorada — mas também não precisa ser encarada apenas como uma ameaça.

O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 39% das habilidades atualmente utilizadas pelos trabalhadores serão transformadas ou poderão se tornar desatualizadas entre 2025 e 2030.

Ao mesmo tempo, inteligência artificial, big data, redes, cibersegurança e alfabetização tecnológica estão entre as competências que mais crescem em importância.

Isso aponta para uma mudança importante.

Em muitas profissões, a tecnologia não simplesmente elimina o profissional. Ela modifica como o trabalho é realizado.

Um projetista pode trabalhar com softwares 3D.

Um marceneiro pode utilizar projeto digital, máquinas automatizadas e plano de corte computadorizado.

Um eletricista pode precisar entender sistemas inteligentes e automação.

Um profissional de manutenção pode trabalhar com equipamentos cada vez mais eletrônicos e conectados.

O próprio relatório do Fórum Econômico Mundial destaca que, nas ocupações em crescimento que continuam exigindo habilidades manuais, as empresas procuram maior especialização combinada com conhecimento tecnológico e capacidade de resolver problemas. Entre os exemplos estão projetistas técnicos, técnicos de engenharia, mecânicos, reparadores de máquinas e profissionais ligados à instalação de energia solar.

Projetar móveis também se tornou uma profissão digital

O setor de móveis é um bom exemplo dessa transformação.

Antes de uma chapa de MDF ser cortada ou um móvel chegar à casa do cliente, pode existir um processo completamente digital: levantamento de medidas, desenvolvimento do projeto, modelagem 3D, apresentação ao cliente, detalhamento técnico, orçamento e planejamento da produção.

Isso abriu espaço para atividades que combinam conhecimento de marcenaria, design e tecnologia.

O Mapa do Trabalho Industrial 2025–2027 estima uma demanda de aproximadamente 180 mil formações profissionais na área de Madeira e Móveis entre 2025 e 2027, considerando formação inicial e atualização de trabalhadores.

E esse é justamente um exemplo de profissão que pode começar a ser aprendida utilizando o computador.

Um vídeo demonstrando como um projeto de móveis é desenvolvido em software pode ajudar o leitor a visualizar algo que números não mostram: profissões tradicionais também incorporaram ferramentas digitais.

O objetivo aqui é apresentar uma possibilidade profissional real e mostrar, na prática, como tecnologia e conhecimento técnico podem trabalhar juntos.

Curso profissionalizante ou faculdade?

Não precisa ser uma escolha entre um e outro.

Existem carreiras que exigem formação superior regulamentada. Outras permitem começar por cursos de qualificação ou formação técnica e posteriormente avançar nos estudos.

Para um jovem que ainda não sabe qual carreira seguir, um curso profissionalizante pode ter uma vantagem importante: permitir contato relativamente rápido com uma atividade antes de assumir um compromisso educacional mais longo.

É possível descobrir se existe afinidade com elétrica, mecânica, programação, desenho técnico, marcenaria, manutenção, logística ou dezenas de outras áreas.

A formação também não precisa terminar no primeiro certificado.

A tendência apontada pelos estudos sobre o futuro do trabalho é justamente a aprendizagem contínua.

A internet também pode ser uma escola

Existe ainda uma mudança de perspectiva importante.

A mesma internet utilizada para entretenimento e redes sociais pode servir para descobrir profissões.

É possível assistir a uma aula introdutória, conhecer o trabalho de um profissional, pesquisar instituições de ensino, comparar cursos e entender como determinada atividade funciona antes de investir tempo e dinheiro nela.

O cuidado é separar conteúdo educativo de promessas de enriquecimento rápido.

Desconfie de cursos que garantem emprego, renda elevada ou sucesso profissional em pouco tempo. Antes de pagar, procure saber quem oferece a formação, qual é o conteúdo programático, a carga horária, a reputação da instituição e se aquela profissão exige alguma certificação ou habilitação específica.

O futuro pode ser digital e técnico ao mesmo tempo

Criar conteúdo pode ser uma carreira. Programar também. Assim como projetar móveis, instalar sistemas elétricos, trabalhar com manutenção, construir, soldar, operar equipamentos ou atuar em logística.

A questão não deveria ser convencer jovens a abandonar o mundo digital.

Talvez seja justamente o contrário: mostrar que o mundo digital pode ser usado para descobrir, aprender e aperfeiçoar uma profissão.

A inteligência artificial provavelmente continuará transformando tarefas e ocupações. Isso torna a qualificação ainda mais importante, não menos.

Em um mercado no qual ferramentas mudam rapidamente, saber fazer alguma coisa bem — e continuar aprendendo a fazê-la melhor com novas tecnologias — pode continuar sendo uma das formas mais consistentes de construir uma carreira.

Fontes e créditos

Conteúdo elaborado pelo Linha Direta News com dados do Mapa do Trabalho Industrial 2025–2027, produzido pelo Observatório Nacional da Indústria/CNI, e do Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial.

Informação também abre caminhos

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Governo identifica 97 perfis com falsos médicos criados por IA https://linhadiretanews.com.br/falsos-medicos-criados-por-ia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=falsos-medicos-criados-por-ia https://linhadiretanews.com.br/falsos-medicos-criados-por-ia/#respond Wed, 09 Sep 2026 17:00:03 +0000 https://linhadiretanews.com.br/?p=8446 Avatares que simulam profissionais de saúde divulgam curas sem comprovação e promovem produtos e serviços; […]

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Avatares que simulam profissionais de saúde divulgam curas sem comprovação e promovem produtos e serviços; parte do conteúdo é direcionada especialmente ao público idoso.

Uma força-tarefa do governo federal identificou 97 perfis no YouTube que utilizam inteligência artificial para simular médicos e outros profissionais de saúde e disseminar informações falsas.

Os conteúdos analisados incluem personagens artificiais apresentados como especialistas, promessas de curas e tratamentos sem comprovação científica e, em alguns casos, divulgação de produtos, e-books e serviços pagos.

A identificação foi realizada pelo programa Saúde com Ciência, do Ministério da Saúde, que analisou os perfis entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2026.

Diante dos resultados, a Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o YouTube para que adote providências em relação aos conteúdos identificados.

O caso chama atenção para um problema que cresce à medida que ferramentas de inteligência artificial se tornam capazes de produzir rostos, vozes e vídeos cada vez mais convincentes: como saber se o suposto especialista que aparece na tela realmente existe?

Falsos especialistas usam aparência de autoridade

Segundo o Ministério da Saúde, os conteúdos utilizam avatares com aparência humana apresentados como médicos ou especialistas e atribuem aos personagens qualificações profissionais fictícias.

A estratégia também inclui linguagem alarmista para transmitir credibilidade e convencer o espectador de que determinado tratamento ou produto seria capaz de solucionar um problema de saúde.

A preocupação não está apenas no fato de o personagem ser artificial.

O risco aumenta quando essa falsa autoridade é utilizada para divulgar orientações médicas, prometer resultados sem respaldo científico ou induzir pessoas a comprar produtos e serviços.

Parte dos perfis identificados pelo governo seria direcionada especialmente à população idosa.

Quais são os riscos para a saúde?

Seguir uma orientação médica falsa na internet pode ter consequências que vão muito além da perda financeira.

Entre os riscos apontados pelo Ministério da Saúde estão a automedicação, utilização de terapias sem eficácia comprovada, atraso na procura por atendimento profissional e até interrupção ou substituição de tratamentos.

Esse último ponto é particularmente preocupante.

Uma pessoa que abandona um tratamento prescrito porque acreditou em um suposto médico apresentado em um vídeo pode permitir que uma doença progrida enquanto utiliza uma alternativa sem comprovação.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já havia alertado para outro fenômeno semelhante: personagens fictícios criados por IA que se apresentam como gurus ou detentores de conhecimentos supostamente secretos e vendem receitas e produtos apresentados como soluções para problemas de saúde.

AGU cobra providências do YouTube

A AGU notificou o YouTube para que os conteúdos especificamente identificados pelo Ministério da Saúde sejam retirados do ar ou, conforme o caso, recebam rotulagem e contextualização capazes de deixar explícito que os personagens são artificiais.

A notificação estabeleceu prazo de 72 horas.

A plataforma também foi chamada a avaliar outros canais e vídeos apontados no relatório à luz de suas próprias políticas sobre desinformação em saúde e conteúdo sintético.

Além do Ministério da Saúde e da AGU, a iniciativa envolve órgãos do governo federal ligados às áreas de comunicação, Justiça e ciência e tecnologia.

As informações levantadas também foram encaminhadas à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina.

Procurado pela Agência Brasil, o Google informou que não comentaria o caso.

Como funciona o golpe da autoridade artificial

A inteligência artificial acrescentou uma nova camada a uma estratégia de persuasão que já existia na internet.

Antes, conteúdos enganosos podiam utilizar fotografias roubadas, depoimentos falsos ou até imagens de celebridades para promover determinados produtos.

Agora é possível criar um personagem inteiro.

Nome, rosto, voz, roupa, cenário e suposta formação profissional podem ser produzidos artificialmente.

O resultado pode ser um personagem de jaleco branco falando diante da câmera, utilizando termos técnicos e apresentando-se como médico mesmo que aquela pessoa nunca tenha existido.

A Anvisa também já alertou para deepfakes que alteram imagem e voz de pessoas conhecidas para fazê-las parecer recomendar medicamentos ou suplementos.

Por isso, aparência profissional deixou de ser suficiente para estabelecer credibilidade na internet.

Como identificar um possível falso médico criado por IA?

Não existe um único sinal capaz de identificar todos os vídeos artificiais. A tecnologia está evoluindo rapidamente e algumas produções podem apresentar aparência bastante convincente.

Mesmo assim, alguns cuidados reduzem o risco.

Desconfie de promessas de cura rápida ou garantida, especialmente quando o vídeo afirma apresentar um tratamento que médicos, governos ou a indústria supostamente tentariam esconder.

Procure o nome completo do profissional e verifique sua atuação fora daquela rede social.

Quando alguém se apresenta como médico no Brasil, é possível conferir se existe registro profissional nos sistemas oficiais dos conselhos de medicina.

Também merece atenção um perfil que apresenta um suposto especialista, mas não fornece informações verificáveis sobre formação, local de atuação ou registro profissional.

Outro sinal de alerta é quando praticamente todo o conteúdo conduz o usuário à compra de um suplemento, medicamento, e-book, curso ou tratamento.

E mesmo quando o profissional é verdadeiro, uma recomendação encontrada na internet não substitui uma avaliação individualizada.

Nem todo conteúdo produzido com IA é necessariamente falso

Existe ainda uma distinção importante.

O simples uso de inteligência artificial para produzir ou editar um vídeo não significa automaticamente que seu conteúdo seja falso.

A tecnologia pode ser utilizada de forma legítima para educação, tradução, acessibilidade, ilustração ou produção audiovisual.

O problema aparece quando a IA é utilizada para enganar o público sobre a identidade ou qualificação de uma pessoa, fabricar autoridade profissional ou dar credibilidade a informações de saúde sem respaldo científico.

Essa diferença é importante para que o debate não se transforme em uma rejeição genérica à tecnologia.

Por que idosos podem ser mais vulneráveis?

O direcionamento de parte desses conteúdos à população idosa merece atenção especial.

Esse público pode consumir com maior frequência conteúdos relacionados a dores crônicas, pressão arterial, diabetes, problemas de circulação, memória, emagrecimento e outras condições que também são exploradas comercialmente na internet.

Uma mensagem apresentada por alguém que aparenta ser médico pode transmitir uma sensação de segurança que um anúncio convencional dificilmente alcançaria.

Quando essa autoridade é artificialmente construída, o espectador pode nem perceber que está diante de publicidade ou desinformação.

Por isso, familiares também podem ajudar verificando a origem de vídeos e ofertas antes que medicamentos, suplementos ou tratamentos sejam adquiridos.

Entenda: como verificar uma informação de saúde

Antes de seguir uma recomendação encontrada nas redes sociais, algumas perguntas simples podem ajudar:

Quem está fazendo essa afirmação?
O profissional realmente existe e sua qualificação pode ser confirmada?

Qual é a fonte da informação?
Há estudos, instituições médicas ou autoridades sanitárias reconhecidas sustentando aquela afirmação?

Existe promessa de resultado garantido?
Promessas de cura rápida, definitiva ou válida para todas as pessoas são um forte sinal de alerta.

Há alguma coisa sendo vendida?
Quando a suposta orientação termina sempre na compra de um produto, é importante avaliar o interesse comercial por trás da mensagem.

O vídeo tenta criar medo ou urgência?
Expressões como “faça isso antes que seja tarde” ou alegações de que determinado segredo estaria sendo escondido podem ser utilizadas para impedir que o espectador pare e verifique a informação.

O que fazer ao encontrar esse tipo de conteúdo?

O Ministério da Saúde orienta a população a buscar informações em fontes oficiais e confiáveis e a denunciar conteúdos que possam colocar outras pessoas em risco.

No próprio YouTube, vídeos podem ser denunciados pelas ferramentas disponibilizadas pela plataforma.

O programa Saúde com Ciência também recebe relatos de possíveis conteúdos falsos relacionados à saúde por meio dos canais oficiais do governo.

Quando houver suspeita de fraude, venda irregular de produtos ou exercício ilegal de profissão, o caso também pode envolver autoridades policiais e órgãos de fiscalização profissional.

Inteligência artificial aumenta o desafio da desinformação

Os 97 perfis identificados mostram como a discussão sobre inteligência artificial deixou de envolver apenas imagens curiosas ou textos produzidos automaticamente.

Quando uma tecnologia capaz de criar personagens convincentes encontra temas sensíveis como saúde, o impacto potencial passa a ser concreto.

Uma pessoa pode perder dinheiro. Outra pode utilizar um produto inadequado. Em situações mais graves, alguém pode abandonar ou atrasar um tratamento necessário.

A melhor defesa continua sendo a verificação.

Em uma internet onde até o médico que aparece diante da câmera pode não existir, saber quem está por trás da informação tornou-se tão importante quanto a própria informação apresentada.


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Fonte e créditos: matéria elaborada pelo Linha Direta News com informações do Ministério da Saúde, Advocacia-Geral da União, Agência Brasil e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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Volker Türk pede garantias internacionais para sistemas avançados de IA e alerta para riscos envolvendo infraestrutura, comunicações, democracia e concentração de poder tecnológico.

O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, fez nesta segunda-feira (7) um dos alertas mais contundentes de seu novo mandato sobre o avanço da inteligência artificial. Segundo ele, sistemas avançados de IA podem representar até mesmo um “risco existencial” para a humanidade caso seu desenvolvimento não seja acompanhado por mecanismos robustos de segurança.

A declaração foi feita em Genebra, na abertura da 63ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que reúne 47 países e segue até 7 de outubro.

Türk afirmou compartilhar preocupações levantadas por especialistas do setor e defendeu um esforço internacional para estabelecer garantias de segurança antes que sistemas cada vez mais poderosos atinjam capacidades difíceis de controlar.

O alerta, entretanto, exige uma distinção importante: a ONU não afirmou que a inteligência artificial inevitavelmente levará à extinção humana.

O debate envolve cenários de risco, diferentes níveis de incerteza e, principalmente, a necessidade de criar mecanismos de segurança antes que determinadas capacidades tecnológicas estejam amplamente disseminadas.

O que a ONU entende por risco da IA?

Ao falar em risco existencial, Türk abordou a possibilidade de sistemas avançados provocarem consequências de grande escala caso apresentem comportamentos inesperados, sejam utilizados de maneira maliciosa ou sejam implantados sem salvaguardas suficientes.

Uma porta-voz do escritório do alto comissário apontou, entre os possíveis riscos, falhas capazes de afetar infraestruturas críticas, sistemas de comunicação e instituições democráticas.

Esse debate não elimina problemas que já existem atualmente.

Um relatório anterior do próprio Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos destaca que, embora os possíveis riscos existenciais de longo prazo precisem ser compreendidos e mitigados, sistemas de inteligência artificial já produzem impactos concretos sobre direitos humanos no presente.

Isso inclui questões relacionadas a privacidade, discriminação algorítmica, decisões automatizadas, desinformação e responsabilidade das empresas que desenvolvem essas tecnologias.

Poder concentrado em poucas empresas preocupa

Outro ponto levantado por Türk foi a concentração do desenvolvimento das tecnologias mais avançadas nas mãos de um pequeno grupo de grandes companhias.

Segundo o alto comissário, poucas pessoas possuem atualmente um poder extraordinário sobre o desenvolvimento da inteligência artificial.

Embora não tenha citado empresários específicos, algumas das principais empresas que disputam a liderança no setor incluem grandes grupos tecnológicos e laboratórios especializados em modelos avançados.

Para Türk, países que desenvolvem essas tecnologias — e também aqueles envolvidos em suas cadeias de fornecimento — deveriam estabelecer limites internacionais comuns.

A questão vai além da competição empresarial.

Quanto mais sistemas de IA forem incorporados a setores como energia, telecomunicações, defesa, finanças e administração pública, maiores poderão ser as consequências de falhas ou usos indevidos.

Incidentes aumentam preocupação com agentes autônomos

A discussão ganhou novo peso com experimentos envolvendo os chamados agentes de inteligência artificial.

Diferentemente de um chatbot tradicional, que normalmente responde a uma solicitação do usuário, agentes podem receber objetivos e executar sequências de ações utilizando ferramentas e sistemas digitais.

Segundo a Reuters, o gabinete de Türk citou como exemplo um incidente relacionado à plataforma Hugging Face envolvendo agentes de IA e comportamento inesperado durante testes.

O episódio foi usado para ilustrar uma preocupação crescente: a capacidade de determinados sistemas pode estar avançando em ritmo mais rápido do que os mecanismos criados para supervisioná-los.

Isso não significa que os sistemas atuais tenham se tornado independentes dos seres humanos ou adquirido consciência.

O problema discutido por pesquisadores é outro: até que ponto sistemas com maior autonomia podem executar ações não previstas por seus desenvolvedores e quais barreiras devem existir antes de sua utilização em ambientes reais?

IA também entra no debate sobre armas autônomas

O pronunciamento de Türk não ficou restrito aos sistemas comerciais.

O alto comissário também manifestou preocupação com relatos envolvendo o possível uso de drones totalmente autônomos na guerra da Ucrânia.

Ele defendeu a proibição urgente de armas capazes de tirar vidas sem intervenção humana. A Reuters ressaltou que não verificou de forma independente os relatos específicos mencionados por Türk sobre o uso desses equipamentos pela Rússia.

A discussão sobre armas autônomas coloca uma das questões éticas mais delicadas relacionadas à inteligência artificial:

uma máquina deveria poder decidir sozinha quando tirar uma vida humana?

Para organizações internacionais e especialistas que defendem restrições, decisões letais precisam permanecer sob controle humano significativo.

Entenda: inteligência artificial é uma ameaça?

Não existe uma resposta simples.

A inteligência artificial já produz benefícios concretos em áreas como ciência, medicina, produtividade, educação e análise de grandes volumes de informação.

Ao mesmo tempo, seu desenvolvimento introduz riscos novos e amplia problemas já existentes.

Por isso, é importante separar três discussões diferentes.

A primeira envolve problemas atuais, como desinformação, fraudes, violações de privacidade, vieses algorítmicos e uso criminoso da tecnologia.

A segunda envolve sistemas mais autônomos, capazes de executar ações e interagir com outros ambientes digitais com menor supervisão humana.

E a terceira trata dos chamados riscos existenciais, cenários extremos nos quais sistemas futuros extremamente avançados poderiam causar danos em escala global.

Colocar todos esses problemas na mesma categoria pode gerar alarmismo. Ignorá-los, porém, também seria imprudente.

O desafio agora é criar regras antes da próxima geração de IA

A corrida tecnológica coloca governos diante de um dilema.

Regulamentação excessivamente rígida pode limitar inovação e desenvolvimento econômico. Regras insuficientes, por outro lado, podem permitir que tecnologias extremamente poderosas sejam colocadas em circulação antes que seus riscos sejam suficientemente compreendidos.

É justamente nesse ponto que o alerta de Volker Türk ganha importância.

A discussão deixou de ser apenas sobre o que a inteligência artificial consegue fazer.

Cada vez mais, governos, pesquisadores e organismos internacionais precisam responder a outra pergunta:

o que sistemas de inteligência artificial deveriam ser autorizados a fazer — e quem será responsabilizado quando algo der errado?

A resposta provavelmente ajudará a definir uma das principais disputas tecnológicas e regulatórias dos próximos anos.


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Fonte e créditos: reportagem elaborada com informações da Agência Brasil/Reuters e documentação do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR).

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