Queda de Maduro não significa fim do chavismo, avalia especialista

Afastar Maduro não faz chavismo morrer, explica especialista

Segundo Priscila Caneparo, militares seguem como principal base de sustentação do chavismo, e incertezas sobre a transição podem gerar instabilidade social na Venezuela.

Chavismo segue além da figura de Maduro

O afastamento de Nicolás Maduro do poder não representa, por si só, o fim do chavismo na Venezuela. A avaliação é da especialista em direito internacional Priscila Caneparo, em entrevista à CNN.

Segundo Caneparo, o verdadeiro centro de poder no país permanece nas mãos das Forças Armadas, que ocupam posições estratégicas na economia, na política e nas instituições estatais desde o governo de Hugo Chávez.

Apoio militar é decisivo para o futuro do regime

“O chavismo não morreu. Afastar o Maduro não significa que o chavismo morreu. O chavismo só vai morrer se os generais, se as forças militares, se as forças do exército da Venezuela não apoiarem mais esse movimento”, afirmou a especialista.

Para ela, enquanto os militares continuarem alinhados ao projeto chavista, qualquer mudança no comando político do país tende a ser limitada ou instável.

Operação dos EUA levanta questionamentos

Caneparo também questionou a operação conduzida pelos Estados Unidos, que teria resultado na retirada de Maduro e de sua esposa de seu local de permanência por forças especiais americanas.

Na avaliação da especialista, a ação só teria sido possível com o apoio — ainda que parcial — de setores das Forças Armadas venezuelanas. “Com certeza houve vazamento de informação. A gente não sabe quanto dessa parcela militar está apoiando Trump, porque sem esse apoio não teria como os Estados Unidos ingressarem no território venezuelano e capturarem Maduro”, analisou.

Dúvidas sobre o governo de transição

Outro ponto de preocupação destacado por Caneparo é a ausência de clareza sobre a condução de um eventual governo de transição. Segundo ela, há informações contraditórias envolvendo a postura da vice-presidente venezuelana, que teria sinalizado alinhamento com os Estados Unidos antes de voltar a demonstrar apoio a Maduro.

“Os Estados Unidos não divulgam como vão fazer esse governo de transição. Simplesmente dizem: ‘nós vamos assumir’. Mas como isso vai acontecer? Como serão implementadas políticas públicas para a população venezuelana? De onde virá a legitimidade desse governo?”, questionou.

Risco de instabilidade social e escalada do conflito

Na avaliação da especialista, a indefinição pode acabar fortalecendo novamente o chavismo dentro do país, gerando um cenário de tensão social. Caneparo alertou para o risco de uma “ebulição social” caso a população perceba interferência externa sem respaldo institucional.

Ela também apontou a possibilidade de um agravamento do conflito caso interesses econômicos, especialmente ligados à exploração de petróleo por empresas americanas, entrem em choque com forças sociais e políticas internas da Venezuela.

 

Fonte: CNN Brasil


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