O presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulou uma visão de transformação global, defendendo a união dos países em desenvolvimento, conhecidos como Sul Global, com o objetivo de reformular a 'lógica econômica' mundial. A declaração foi proferida na Índia, pouco antes de sua partida para a Coreia do Sul, na madrugada de um domingo.
A Força da União do Sul Global
Lula enfatizou as dificuldades históricas enfrentadas por nações menos desenvolvidas em negociações com superpotências. Ele propôs que países como Índia, Brasil e Austrália, entre outros do Sul Global, se unam para fortalecer sua posição negociadora. O presidente fundamentou a necessidade dessa mudança em '500 anos de experiência colonial', destacando a persistente colonização tecnológica e econômica e a urgência de construir parcerias baseadas em similaridades para ampliar o potencial coletivo.
O Papel dos BRICS na Nova Ordem Econômica
Na avaliação de Lula, o bloco BRICS é um catalisador para essa nova lógica econômica, descrevendo-o como um grupo que 'está ganhando uma cara' e que já criou um banco de desenvolvimento. Ele reconheceu a 'inquietação' dos EUA, principalmente em relação à China, mas reiterou que o objetivo não é uma nova Guerra Fria, e sim fortalecer o grupo, visando uma possível integração ou ampliação para um 'G30' dentro do G20. Lula negou categoricamente a intenção de criar uma moeda BRICS, esclarecendo que a proposta é promover o comércio entre os membros utilizando suas próprias moedas, a fim de reduzir dependências e custos.
Multilateralismo e a Reforma da ONU
O presidente brasileiro reforçou sua defesa do multilateralismo e do fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), argumentando que a entidade precisa retomar sua legitimidade e eficácia, especialmente em sua função de manter a paz. Ele mencionou seus contatos com outros líderes para buscar respostas a conflitos como os da Venezuela, Gaza e Ucrânia, sublinhando que nenhum país, por mais poderoso que seja, deve interferir unilateralmente na vida de outras nações, e que a ONU é essencial para resolver tais questões, necessitando de maior representatividade.
Relações com os Estados Unidos
Sobre as relações com os Estados Unidos, Lula vislumbra a formação de boas parcerias, particularmente se houver um interesse mútuo no combate a organizações criminosas transnacionais, como o narcotráfico. Ele expressou o desejo de que a superpotência mantenha uma relação respeitosa com a América do Sul e o Caribe, uma região que descreveu como pacífica e desnuclearizada, focada em crescimento econômico e melhoria de vida. Lula planeja discutir o papel dos EUA na América do Sul com o presidente Donald Trump, em um encontro futuro. Adicionalmente, sobre a recente decisão da suprema corte estadunidense acerca da taxação imposta por Washington a outros países, Lula afirmou que não lhe compete julgar as decisões judiciais de outras nações.
Balanço da Visita à Índia
Lula descreveu seus encontros com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, como 'extraordinários e exitosos'. As discussões focaram na relação comercial bilateral e no fortalecimento das economias de Brasil e Índia para que se tornem países altamente desenvolvidos, sem se aprofundar em detalhes de geopolítica internacional. O presidente também relatou que as interações com empresários indianos foram muito positivas, com investidores expressando satisfação com o Brasil.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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