ONU institui Dia Internacional contra Medidas Coercitivas Unilaterais e reforça defesa do multilateralismo

A decisão ocorre em um momento de intensificação do debate internacional sobre o uso de sanções econômicas unilaterais, especialmente diante de conflitos geopolíticos recentes e de seus efeitos sobre populações civis. Ao instituir a data, a Organização das Nações Unidas busca ampliar a discussão global sobre os limites dessas medidas e reforçar a necessidade de soluções baseadas no multilateralismo e no respeito ao direito internacional.

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Internacional contra Medidas Coercitivas Unilaterais, a ser celebrado anualmente em 4 de dezembro. A decisão foi formalizada por meio da resolução 79/293, aprovada em 18 de junho de 2025, e tem como objetivo ampliar a conscientização global sobre os impactos dessas medidas quando adotadas fora dos parâmetros do direito internacional.

A primeira observância oficial da data está prevista para 4 de dezembro de 2025, marcando um novo posicionamento da ONU no debate sobre sanções econômicas unilaterais e seus efeitos sobre populações civis, especialmente em países em desenvolvimento.

O que motivou a criação da data

Segundo a ONU, a instituição do Dia Internacional busca reforçar a defesa do multilateralismo, do diálogo entre Estados e do respeito às normas internacionais, princípios considerados fundamentais para a manutenção da paz e da cooperação global.

A resolução destaca que medidas coercitivas adotadas de forma unilateral, sem respaldo de organismos multilaterais, podem gerar consequências econômicas e sociais severas, além de comprometer direitos humanos básicos.

O que são medidas coercitivas unilaterais

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), medidas coercitivas unilaterais são ações econômicas ou políticas impostas por um Estado com o objetivo de pressionar outro país a alterar determinadas políticas internas ou externas.

Entre os exemplos mais conhecidos estão:

  • embargos comerciais
  • restrições financeiras
  • interrupção de fluxos de investimento

Nos últimos anos, também passaram a ser utilizadas as chamadas sanções “inteligentes” ou “direcionadas”, como:

  • congelamento de bens
  • proibição de viagens
  • restrições individuais a autoridades ou figuras políticas

Essas práticas foram abordadas, entre outros documentos, na resolução 19/33 do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Questionamentos sobre legalidade internacional

A ONU aponta que muitas dessas medidas, assim como as legislações que as sustentam, contrariam o direito internacional, incluindo:

  • o direito internacional dos direitos humanos
  • o direito internacional humanitário
  • os princípios da Carta das Nações Unidas

Além disso, tais ações violam normas históricas que regulam as relações pacíficas entre os Estados, como a Declaração sobre os Princípios do Direito Internacional relativos às Relações de Amizade e Cooperação entre os Estados, adotada em 1970.

Impactos diretos sobre direitos humanos

Um dos principais argumentos apresentados pela ONU é que medidas coercitivas unilaterais podem afetar diretamente o pleno exercício dos direitos humanos, especialmente em áreas essenciais como:

  • acesso à alimentação
  • cuidados médicos
  • moradia
  • serviços sociais básicos

Esses direitos estão previstos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que assegura a todas as pessoas um padrão de vida adequado à saúde e ao bem-estar. Segundo a ONU, sanções econômicas amplas tendem a atingir desproporcionalmente populações vulneráveis, ampliando desigualdades e crises humanitárias.

Defesa do multilateralismo

Ao instituir a nova data internacional, a ONU reforça sua posição em favor de soluções multilaterais para conflitos e disputas entre países. A organização argumenta que decisões tomadas de forma coletiva, dentro de fóruns internacionais, oferecem maior legitimidade e reduzem o risco de danos colaterais às populações civis.

A resolução ressalta ainda que o diálogo, o respeito mútuo, a tolerância e a cooperação internacional são caminhos mais eficazes para a estabilidade global do que ações unilaterais de caráter punitivo.

Um marco simbólico no debate internacional

O Dia Internacional contra Medidas Coercitivas Unilaterais passa a funcionar como um marco simbólico anual, destinado a estimular debates, análises e iniciativas que avaliem os efeitos dessas práticas no cenário global.

A expectativa da ONU é que a data contribua para ampliar a conscientização internacional e incentive Estados a buscar soluções baseadas no direito internacional e na cooperação entre nações.

Fonte: https://brasil.un.org


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