O que está por trás do ataque dos EUA à Venezuela

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O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, é um evento que levanta questões complexas sobre as motivações por trás da ação militar. Embora a justificativa oficial do governo americano se concentre no combate ao narcotráfico e na acusação de que Maduro lidera o Cartel de los Soles, especialistas apontam que interesses econômicos e geopolíticos também desempenham um papel crucial.

A Venezuela é rica em recursos naturais, possuindo cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo, além de significativas reservas de minerais estratégicos, como terras raras, coltan e ouro. O petróleo, que já foi a principal fonte de riqueza do país, tem enfrentado uma drástica redução na produção devido à má gestão e sanções internacionais. Apesar disso, continua a ser um pilar econômico fundamental, e o controle sobre esses recursos é um fator que atrai a atenção dos EUA.

Os Estados Unidos atacaram a Venezuela na noite deste sábado, 3 de janeiro, e capturaram o presidente Nicolás Maduro, que responderá perante a Justiça por narcotráfico e terrorismo, de acordo com o presidente Donald Trump.

Por trás dos bombardeios desta madrugada, que atingiram a capital Caracas e mais três regiões, os Estados Unidos alegam o combate ao narcotráfico e acusam o presidente da Venezuela, no poder desde 2013, de ser o líder do Cartel de los Soles, descrito como um grupo ligado ao tráfico de drogas.

Mas especialistas acreditam que há também outras razões para a invasão, que cria tensão na região e gera o medo de uma nova crise de refugiados: o petróleo, minerais estratégicos, como grandes reservas de ouro e terras raras, e até mesmo o interesse em dominar um país cujas influências de Rússia e China são grandes.

Nos ataques deste sábado, as instalações da PDVSA ficaram ilesas, segundo fontes do governo dos EUA, citadas pela imprensa internacional.

A Venezuela possui cerca de 17% das reservas conhecidas de petróleo do mundo, o equivalente a mais de 300 bilhões de barris, volume quase quatro vezes maior do que o dos EUA e superior ao da Arábia Saudita, segundo órgãos internacionais do setor energético.

Apesar disso, o petróleo não tem sido mais uma fonte de riqueza para o país sob a ditadura de Maduro, apesar de ser ainda a principal fonte de receita da Venezuela.

A PDVSA, a estatal de refino e produção de petróleo da Venezuela, foi sendo sucateada ao longo dos governos de Hugo Chávez e Maduro. Atualmente, a Venezuela mantém uma exploração pequena, de cerca de 1 milhão de barris diários, muito abaixo dos mais de 3 milhões de barris diários dos áureos tempos da PDVSA.

Sob embargo desde 2019 imposto pelos EUA, a Venezuela vendia seu petróleo para o mercado ilegal a preços muito baixos, especialmente para a China. Antes das sanções americanas, o petróleo representava 96% das receitas nacionais e três quartos das receitas petrolíferas provinham de clientes dos EUA.

Atualmente, apesar das dificuldades, o petróleo continua sendo o pilar econômico da Venezuela. Segundo a Reuters, em 2024, a PDVSA faturou cerca de US$ 17,5 bilhões com exportações.

É fácil, então, compreender por que, apenas durante o período de Maduro no poder, a economia do país encolheu 80%, cerca de um quarto da população emigrou e, quem ficou, luta para sobreviver, com mais de 85% dos venezuelanos na linha de pobreza. Em 2019, o país enfrentou uma hiperinflação de 65.000% anuais.

A decadência da PDVSA acompanhou essa descida literal ao fundo do poço, mas ela teve início muito antes, em 2003. Esse ano, na prática, selou o destino da empresa. Foi quando Chávez fez um expurgo na estatal de petróleo, demitindo boa parte do corpo técnico e desviando bilhões de dólares em investimentos na modernização da empresa para programas sociais e ajuda a países simpáticos à sua revolução bolivariana, como Cuba e Bolívia.

Minerais estratégicos

Além do petróleo, a Venezuela possui reservas significativas de minerais estratégicos, incluindo terras raras, coltan, ouro e bauxita. As terras raras são essenciais para a fabricação de eletrônicos, baterias, turbinas e tecnologias verdes, como carros elétricos e painéis solares. O controle desses recursos é cada vez mais disputado no contexto da transição energética global e da corrida tecnológica entre grandes potências.

A exploração das terras raras na Venezuela ainda é limitada, mas desperta interesse internacional devido à crescente demanda e à concentração da produção mundial na China. Países ocidentais buscam diversificar suas fontes para reduzir a dependência chinesa, e a Venezuela surge como potencial alternativa, apesar dos desafios logísticos, ambientais e políticos.

Crise de refugiados

Há também o temor de que o ataque dos Estados Unidos à Venezuela crie uma nova crise de refugiados, com os venezuelanos deixando o país em direção ao Brasil e à Colômbia.

O governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), já pediu ao governo Lula que feche provisoriamente a fronteira com a Venezuela enquanto a situação no país vizinho permanecer instável. O Estado é a principal porta de entrada dos venezuelanos que fogem de seu país.

Segundo o governo estadual, atualmente, de 300 a 500 venezuelanos entram pela fronteira de Pacaraima todos os dias. No pico, em 2019, chegaram a ser 1.500 por dia.

Estima-se que vivem, atualmente, em Roraima cerca de 190 mil venezuelanos, para uma população de 700 mil. Cerca de 30% do gasto do estado com saúde atende a essa população venezuelana.

A Colômbia, também um dos principais destinos dos refugiados venezuelanos, anunciou o envio de “forças públicas” para a fronteira para atendimentos “caso haja um grande fluxo de refugiados”.

Fonte: CNN Brasil


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