Lula Reafirma Neutralidade do Canal do Panamá e Reforça Cooperação Regional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou o apoio do Brasil à neutralidade do Canal do Panamá durante sua visita ao país centro-americano. A defesa dessa neutralidade, segundo o presidente, é fundamental para assegurar um comércio internacional justo, equilibrado e pautado por regras multilaterais.

A posição de Lula sobre a neutralidade do Canal do Panamá não é inédita, vindo à tona em um cenário marcado por investidas e ameaças de tomada historicamente atribuídas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula já havia manifestado a defesa da neutralidade e o apoio integral à soberania panamenha sobre o canal na abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, realizado no Panamá.

O presidente anunciou o encaminhamento ao Congresso Nacional brasileiro da proposta de adesão formal ao Protocolo de Neutralidade do canal, ressaltando a administração eficiente, segura e não-discriminatória do Panamá ao longo de quase três décadas. Essa declaração foi feita após Lula ser agraciado com a Ordem Manuel Amador Guerrero, a mais alta honraria concedida pelo Panamá.

Previamente, em agosto do ano passado, o governo brasileiro já havia encaminhado ao parlamento o reconhecimento direto ao tratado que estabelece a neutralidade permanente e a operação do Canal do Panamá.

Acordos Bilaterais e Cooperação Econômica

Durante a visita, Brasil e Panamá formalizaram acordos visando aprimorar o comércio, os investimentos bilaterais e a cooperação em setores como turismo e gestão portuária.

Lula destacou que o acordo de facilitação de investimentos recém-assinado impulsionará o fluxo de comércio e capitais entre os dois países.

As discussões também incluíram a atualização do acordo de serviços aéreos, buscando maior segurança jurídica para o transporte de cargas, e as tratativas sobre um acordo de preferências tarifárias, apoiado pelo Brasil com base na adesão do Panamá como Estado Associado do Mercosul.

O Panamá se destaca como o principal parceiro comercial do Brasil na América Central, com trocas bilaterais que totalizaram US$ 1,6 bilhão em 2025. Além disso, foram abordados os procedimentos sanitários para viabilizar a importação de carne bovina, suína e de aves do Brasil pelo Panamá.

Integração Regional e Desafios Compartilhados

Durante a abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, o presidente Lula enfatizou a necessidade de a América Latina e o Caribe enfrentarem seus problemas de forma conjunta para solucioná-los efetivamente.

Ao fazer um balanço do encontro, Lula ressaltou que esses fóruns demonstram a viabilidade de trabalho conjunto por meio do diálogo e do pragmatismo. Ele também destacou o vasto potencial energético, de biodiversidade, hídrico e de recursos minerais das Américas, elementos estratégicos para as transições digital e energética que podem reposicionar os países em cadeias globais de valor.

A integração de infraestruturas foi apontada como geradora de benefícios econômicos para todos, enquanto o aumento do comércio intrarregional fortalece cadeias produtivas e aumenta a resiliência a choques externos.

Lula também abordou desafios comuns, como o combate ao crime organizado transnacional, afirmando que estes só podem ser superados através da cooperação internacional. Ele sublinhou a importância de superar diferenças ideológicas em prol de ganhos coletivos e fortalecer os foros de concertação latino-americanos e caribenhos.

Reunião Bilateral com a Bolívia

Ainda no Panamá, o presidente Lula teve uma reunião bilateral com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, com foco em infraestrutura física e oportunidades de investimento entre os países.

Dentre os temas discutidos, estiveram as rotas para a integração sul-americana, alternativas para o acesso da Bolívia a portos e escoamento de sua produção, a retomada dos diálogos energéticos e iniciativas conjuntas contra o crime organizado na Amazônia. Lula convidou o presidente Paz para uma visita de Estado ao Brasil no primeiro semestre de 2026, com participação de empresários, e instruiu os chanceleres a levantarem projetos prioritários.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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