Deputada do PL Utiliza Blackface na Alesp em Crítica a Erika Hilton

A deputada estadual de São Paulo Fabiana Bolsonaro (PL) realizou blackface em 18 de outubro, durante um discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O ato visava criticar a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados.

Blackface é uma prática racista histórica, originada nos Estados Unidos, onde pessoas brancas usavam maquiagem e acessórios para simular e caricaturar de forma estereotipada as características físicas de pessoas negras, resultando em representações degradantes.

Declarações e Contexto da Crítica

Durante seu discurso, Fabiana Bolsonaro declarou: “Eu estou pintada de negra por fora. Eu me reconheço como negra. Por que então eu não posso presidir a Comissão sobre racismo, antirracista? Por que eu não posso cuidar dessa pauta? Porque eu não sou negra”. A deputada adicionou, em referência à eleição de Erika Hilton: “Eu sou uma mulher. Não adianta se travestir de mulher. Eu não estou aqui ofendendo transexual, muito pelo contrário, eu estou dizendo, eu sou mulher, quero ser vista como mulher. A mulher do ano não pode ser trave (sic) transsexual”.

Repercussão e Medidas Tomadas

Procurados para comentar o ocorrido, o presidente da Alesp, André do Prado (PL), e a deputada Erika Hilton não se manifestaram até o momento.

Em resposta ao incidente, a deputada estadual paulista Mônica Seixas (PSOL) e a vereadora de São Paulo Luana Alves (PSOL) registraram um boletim de ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. Mônica Seixas criticou a falta de reação da presidência da Alesp, afirmando nas redes sociais que “Crime de racismo é inafiançável, aconteceu de forma televisionada sem nenhuma reação da presidência da Assembleia Legislativa ao fato da deputada Fabiana Bolsonaro ter feito blackface enquanto dizia impropérios transfóbicos na tribuna da Assembleia Legislativa”. Ela também apontou dificuldades no registro do flagrante, citando o Artigo 282 do regimento interno da Alesp, que prevê a atuação policial em caso de crime flagrante no plenário.

A deputada Mônica Seixas informou ainda que serão tomadas medidas criminais contra Fabiana Bolsonaro e que representará o caso no Conselho de Ética da Alesp, exigindo uma resposta e atuação imediatas da presidência em respeito à população negra do estado de São Paulo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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