Cubanos em Havana Descrevem “Pior Momento” em Meio a Crise de Energia e Escassez

Residentes cubanos em Havana relatam que o país atravessa seu "pior momento", enfrentando dificuldades intensificadas após o endurecimento do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos desde o final de janeiro. A população lida com o aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado.

Cotidiano Atingido Pela Crise Energética

A arquiteta Ivón B. Rivas Martinez, de 40 anos e mãe solo, descreve que os apagões em Havana, antes programados, tornaram-se imprevisíveis e mais longos, com interrupções que podem chegar a 12 horas. Ela exemplifica a gravidade da situação mencionando que, no interior da ilha, a falta de eletricidade pode durar quase o dia todo, dificultando até a conservação de alimentos.

O endurecimento das medidas norte-americanas ocorreu após o governo Donald Trump ameaçar com tarifas os países que vendessem petróleo a Cuba, classificando a nação caribenha como uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança dos EUA, justificando a ação pelo alinhamento político de Havana com Rússia, China e Irã. Com aproximadamente 80% da energia cubana gerada por termelétricas movidas a combustível, as sanções impactaram severamente a capacidade de compra de petróleo no mercado global.

Serviços Prejudicados e Disparada de Preços

Ivón Rivas detalha que os apagões comprometem diretamente diversos serviços essenciais na capital. A falta de energia impede o funcionamento de bombas d'água, afeta a telefonia e internet, e inoperabiliza caixas eletrônicos e cartórios, dificultando procedimentos bancários e legais. Nas últimas semanas, a arquiteta observou uma aceleração no aumento dos preços de itens básicos como arroz, óleo e carne de frango, tornando-os progressivamente mais inacessíveis.

Avaliação: Mais Severo Que o "Período Especial"

O economista cubano aposentado Feliz Jorge Thompson Brown, de 71 anos e tio de Ivón, que vivenciou a Revolução de 1959, avalia que o momento atual é o mais difícil enfrentado por Cuba, superando inclusive a crise da década de 1990, conhecida como "período especial" após o colapso da União Soviética. Ele descreve a situação como "mais cruel e severa", tanto material quanto espiritualmente.

Brown argumenta que, diferentemente do "período especial", quando a juventude compreendia a situação e os avanços sociais da Cuba revolucionária, a geração atual enfrenta maior incerteza por não ter vivenciado plenamente os primeiros anos do processo revolucionário. Adicionalmente, ele aponta que a capacidade do Estado de fornecer a cesta básica de alimentos subsidiada diminuiu em comparação com a década de 1990, intensificando a complexidade da crise atual.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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