Este artigo explora cenários hipotéticos e especulações de analistas sobre um possível segundo recuo do então presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, em um futuro conflito imaginado. As discussões focam nas limitações que Washington poderia enfrentar ao escalar uma guerra contra o Irã, dadas as projeções de impactos econômicos decorrentes de ações como o fechamento do Estreito de Ormuz ou ataques à infraestrutura energética do Golfo Pérsico, conforme relatado em notícias e análises de 2025 e 2026.
O suposto recuo de Trump ocorreria em meio à manutenção do preço do barril de petróleo em torno de US$ 110, com as ações de Wall Street nos valores mínimos dos últimos seis meses e a queda dos mercados de títulos da zona do euro e do Tesouro dos EUA.
Análise de Especialistas sobre o Conflito Projetado
O professor de economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Pedro Paulo Zaluth Bastos, avalia que as ameaças de Trump seriam 'vazias'. Ele sugere que, ao perceber a falta de efeito, Trump recuaria, ciente das retaliações no Golfo Pérsico caso a capacidade petrolífera iraniana fosse destruída.
Bastos projeta a possibilidade de o petróleo atingir recordes, superando US$ 150 e chegando a US$ 200, o que 'destruiria inteiramente' a popularidade de Trump nos EUA, especialmente entre eleitores independentes e parte dos Republicanos. Ele acrescenta que, quanto mais danos a guerra hipotética causar à infraestrutura energética da região, maior seria o prejuízo econômico global e para os EUA, ressaltando a diferença entre religar um sistema paralisado e reparar a capacidade produtiva destruída, cuja restauração levaria mais tempo.
Consequências Econômicas Catastróficas Projetadas
O analista geopolítico Marco Fernandes, membro do Conselho Popular do Brics, pondera que os efeitos econômicos seriam 'catastróficos' se a guerra hipotética se prolongasse ou aumentasse a destruição da infraestrutura regional. Ele cita analistas que comparam o impacto à somatória da COVID-19 com a guerra da Ucrânia nos primeiros meses, ou até algo comparável à crise de 2008, caso o conflito se estenda por alguns meses, considerando essas estimativas 'não irrealistas'.
Fernandes também sugere que o recuo de Trump poderia ser uma tática para ganhar tempo para uma invasão terrestre do Irã, o que levaria a um endurecimento das respostas iranianas, aprofundando a crise econômica que Trump buscaria contornar. Ele alerta que, se os aliados do Irã (como os iemenitas) fechassem o estreito Bab al-Mandeb no Mar Vermelho, ocorreria um 'colapso generalizado do mercado de energia no mundo'.
Impactos Abrangentes: Fertilizantes e Tecnologia
O economista lembra que o gás do Oriente Médio é crucial para a produção de fertilizantes, essenciais para a agricultura, e para a fabricação de chips e semicondutores, além de outras peças eletrônicas, especialmente das fábricas de Taiwan. Ele destaca que 60% a 70% da produção global de chips provém de Taiwan, e a TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company), uma gigante global, teria estoques limitados de gás hélio.
Ainda segundo o especialista, os EUA não teriam capacidade industrial para sustentar uma guerra de longo prazo, especulando que 25% dos estoques do sistema antimísseis THAAD, seu principal sistema, já teriam sido utilizados em um hipotético conflito de '12 dias contra o Irã' em junho de 2025. Quanto mais o conflito se prolongasse, maiores seriam as chances de Israel e outros ativos estadunidenses na região ficarem sem defesa contra mísseis iranianos, configurando um cenário de 'catástrofe' para ambos.
Marco Fernandes acrescenta que, mesmo sendo o maior produtor de petróleo do mundo, as empresas dos EUA operam com base no preço do mercado global, sem amortecer o valor dos combustíveis para o público interno. Esse 'sistema capitalista selvagem' resultaria em um maior aumento dos preços dos combustíveis nos EUA, o que seria eleitoralmente desfavorável para Trump devido ao aumento da inflação no país.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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