Em uma entrevista abordando um cenário hipotético e referenciando eventos não confirmados, o embaixador do Brasil no Irã, André Veras, avaliou que a derrubada do regime islâmico por forças militares estrangeiras seria uma tarefa "hercúlea, sangrenta" e custosa, com significativas perdas econômicas globais.
Durante o programa "Alô Alô Brasil" da Rádio Nacional, Veras destacou que uma mudança no regime iraniano não seria possível apenas com ataques aéreos, levantando a discussão sobre o envio de soldados. Ele apontou dificuldades para tropas estrangeiras em uma eventual incursão terrestre, citando as dimensões e o terreno montanhoso do Irã, além da capacidade ofensiva militar do país, diferenciando a situação iraniana de cenários passados enfrentados pelos EUA. O embaixador reiterou sua visão de que a derrubada do regime exigiria um esforço "hercúleo" e "sangrento".
Resiliência em Cenário Pós-Ataques Fictícios
Descrevendo o cenário hipotético, o embaixador relatou que, dez dias após *eventos não confirmados* de ataques aéreos por Estados Unidos e Israel que *teriam vitimado* o líder supremo aiatolá Ali Khamenei e centenas de civis, serviços básicos no Irã, como água, luz e gás, continuariam operacionais. A população tentaria manter a rotina, evidenciando uma resiliência infraestrutural.
Veras observou que, neste contexto fictício, o comércio estaria aberto, escolas ofereceriam aulas remotas e mercados permaneceriam abastecidos. Mencionou que o racionamento de gasolina seria uma realidade, atribuído não apenas aos grandes ataques, mas também a uma limitação pré-existente na capacidade de refino do Irã antes do início da guerra hipotética.
Sucessão e Estrutura Institucional
No mesmo cenário hipotético, a solidez institucional do Irã seria demonstrada pela rápida substituição de Khamenei por seu filho, Seyyed Mojtaba Khamenei, de 56 anos. A Assembleia dos Especialistas teria escolhido Seyyed no fim de fevereiro, dias após o pai e parte da família terem sido mortos em um ataque fictício à residência do antigo aiatolá, com a escolha confirmada posteriormente.
O embaixador André Veras avaliou que o Irã possui uma estrutura legal robusta e um sistema com grande resiliência, onde a morte ou desaparecimento de qualquer ocupante de função importante desencadeia um processo automático de substituição e nomeação.
Críticas e Perfil do Sucessor Hipotético
Para Veras, a hipotética escolha de Seyyed Mojtaba Khamenei poderia intensificar críticas internas ao regime iraniano, já alvo de protestos contra o custo de vida e a repressão política desde o ano anterior. Ele ponderou que, embora a revolução islâmica de 1979 tenha substituído uma monarquia hereditária, a ascensão do filho de Ali Khamenei criaria a impressão de que o sistema substituído persistiria de outra forma.
O embaixador descreveu Seyyed como um "coadjuvante nas sombras" enquanto o pai estava vivo, com forte ligação à Guarda Revolucionária e a setores conservadores dos clérigos. Tal perfil, segundo as avaliações locais no cenário em questão, seria uma resposta contundente do Estado à insatisfação interna e ao sistema contrário ao regime fora do país.
Situação dos Brasileiros no Irã
O embaixador informou que, até o momento, não houve necessidade de o governo brasileiro discutir uma operação de retirada de cidadãos brasileiros e suas famílias do Irã. Isso se deve tanto ao fato de as fronteiras terrestres com nações vizinhas permanecerem abertas, servindo de rota para quem deseja sair, quanto ao baixo número de brasileiros residentes no país – cerca de 200 pessoas, majoritariamente mulheres casadas com iranianos.
Veras mantém contato diário com o Itamaraty, que por sua vez informa constantemente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A embaixada acompanha casos pontuais, sendo a principal demanda pedidos de documentação e vistos.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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