Cenário Hipotético: Alta do Petróleo em Meio a um Conflito no Irã e a Resposta do G7

Este artigo explora um cenário hipotético em que um conflito no Irã e o subsequente fechamento do Estreito de Ormuz resultariam em uma escalada dos preços do petróleo. Em tal contexto, as potências ocidentais do G7, grupo dos países mais industrializados do mundo, teriam se mobilizado, com os ministros das finanças se reunindo para discutir medidas contra a disparada dos preços no mercado mundial.

No cenário simulado, as potências do G7 optariam por não liberar imediatamente as reservas de emergência, apesar de o barril de petróleo atingir cerca de US$ 120, valor que representaria um aumento de até 30% desde o suposto início do conflito no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz. Este valor seria o mais alto desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.

Os países do G7 – França, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão, Canadá e Reino Unido – teriam considerado a liberação de suas reservas estratégicas, estimadas em 1,2 bilhão de barris de petróleo, somadas a 600 milhões mantidos por obrigação governamental.

Nesse cenário, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota vital por onde transitam aproximadamente 25% do petróleo global, desestabilizaria os mercados financeiros, levando a quedas nas bolsas mundiais. As hipotéticas retaliações de Teerã contra alvos em nações do Golfo Pérsico também contribuiriam para uma redução na oferta de petróleo de grandes produtores como Bahrein e Catar.

De acordo com uma declaração hipotética atribuída a Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), 'Além dos desafios da travessia do Estreito de Ormuz, uma parcela substancial da produção de petróleo foi reduzida. Isso está criando riscos significativos e crescentes para o mercado'.

Ticiana Álvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep), em uma análise hipotética à Agência Brasil, indicaria que o mercado projetava um preço médio de US$ 70 o barril para 2026, antes da escalada do conflito. Ela adicionaria que os impactos iniciais seriam sentidos principalmente na Ásia e na Europa, com a projeção de um impacto global de maiores repercussões caso o conflito se aprofundasse.

A AIE, em seu estudo, estimaria que 80% do petróleo que transitaria pelo Estreito de Ormuz em 2025 seria destinado à Ásia, mas ressaltaria que 'os impactos de uma interrupção prolongada no transporte marítimo seriam globais'.

Petrobras Pode se Beneficiar no Cenário

Em uma análise prospectiva, Ticiana Álvares sugeriria que a Petrobras poderia se beneficiar da diminuição da oferta de petróleo do Oriente Médio, tornando-se uma alternativa. Ela também estimaria que a China conseguiria compensar a ausência do fornecimento iraniano por aproximadamente dois meses.

Álvares complementaria que a geografia do fornecimento seria alterada, com o Brasil e os EUA (especialmente para derivados) emergindo como importantes fornecedores alternativos, potencializando a produção brasileira.

Decisão sobre a Liberação de Estoques

Apesar dos riscos evidentes para o mercado global, os países do G7, no contexto do cenário, decidiriam temporariamente não liberar seus estoques de emergência, uma medida que poderia, em tese, reduzir os preços.

Uma declaração hipotética atribuída ao ministro da Economia francês, Rolando Lescure, à Reuters, revelaria que, embora a liberação das reservas não tivesse ocorrido de imediato, o G7 estaria 'usando todas as ferramentas necessárias, se preciso for, para estabilizar o mercado, incluindo a possível liberação dos estoques necessários'.

A especialista do Ineep, Ticiana Álvares, avaliaria que os estoques da AIE teriam um efeito limitado e temporário. 'A medida estudada pelo G7 teria eficácia pequena porque isso sustenta por um tempo muito pequeno uma maior oferta de petróleo', ela afirmaria.

Irã Hipoteticamente Responsabiliza EUA e Israel

Dentro do cenário simulado, autoridades iranianas, como o presidente do Legislativo Mohammad Bagher Ghalibaf, responsabilizariam os EUA e Israel pela escalada dos preços, alegando que estes teriam iniciado a agressão contra Teerã. Ghalibaf, em uma suposta publicação em rede social, comentaria: 'O impacto econômico dessa guerra, que se alastra para a infraestrutura em toda a região e no mundo, será vasto e duradouro. O preço do petróleo pode permanecer acima de US$ 100 por algum tempo. A política de Donald Trump pode levar à ruína não só a América, mas o mundo inteiro'.

No mesmo cenário, o então presidente dos EUA, Donald Trump, consideraria a alta do petróleo um preço 'muito pequeno' pela 'segurança e paz dos EUA e do mundo', acrescentando que 'só os tolos pensariam diferente'. Trump preveria a queda dos preços assim que a 'ameaça' do Irã fosse eliminada.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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