Celac avalia reunião extraordinária, mas vê pouca margem para reagir a ações dos EUA na Venezuela

Análise: Celac não terá poder para resolver situação na Venezuela

Divisão ideológica entre países-membros limita a capacidade do bloco regional de influenciar a crise após a captura de Nicolás Maduro, avaliam analistas.

Reunião extraordinária entra em debate

A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) avalia a realização de uma reunião ministerial extraordinária neste domingo (4) para discutir os ataques dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro.

Apesar da movimentação diplomática, a expectativa é de poucos avanços práticos. Segundo Américo Martins, analista sênior de internacional da CNN, o organismo regional não dispõe de instrumentos efetivos para alterar o cenário atual ou produzir resultados concretos.

Divisão interna enfraquece atuação do bloco

A Celac reúne 33 países da América Latina e do Caribe, excluindo Estados Unidos e Canadá, mas enfrenta atualmente uma forte fragmentação interna. As divergências refletem diferentes orientações ideológicas dos governos da região.

Países com governos de perfil mais à esquerda, como Brasil e Colômbia — que exerce a presidência rotativa da Celac — tendem a adotar uma postura crítica às ações americanas, questionando sua legalidade sob a ótica do direito internacional.

Governos alinhados aos EUA adotam posição oposta

Em sentido contrário, países com governos mais alinhados à direita, como a Argentina, sob a presidência de Javier Milei, já manifestaram apoio às ações dos Estados Unidos.

“Essa fragmentação impede que a Celac chegue a um consenso ou adote medidas efetivas para influenciar o desenrolar da crise venezuelana”, avalia Américo Martins.

Outras organizações regionais também enfrentam limitações

O enfraquecimento não se restringe à Celac. Blocos como o Mercosul e a Organização dos Estados Americanos (OEA) enfrentam impasses semelhantes, que reduzem sua capacidade de atuação coordenada.

No caso da OEA, a presença dos Estados Unidos como membro influente gera críticas de diplomatas da região, que apontam a predominância dos interesses americanos nas decisões do organismo.

Crise deve chegar ao Conselho de Segurança da ONU

Além das instâncias regionais, o caso deve ser levado ao Conselho de Segurança da ONU, responsável por lidar com conflitos internacionais. Países como Rússia e China, que mantinham relações próximas com o governo Maduro, já divulgaram comunicados condenando as ações dos Estados Unidos.

Poder de veto limita ações internacionais

Segundo Américo Martins, mesmo no âmbito da ONU, as possibilidades de avanço são restritas. Como membro permanente do Conselho de Segurança, os Estados Unidos detêm poder de veto sobre qualquer resolução.

“Essa realidade evidencia as fragilidades do sistema de governança internacional, especialmente quando confrontado com ações unilaterais de grandes potências”, conclui o analista.

 

Fonte: CNN Brasil


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