Nesta segunda-feira, os quatro astronautas da missão Artemis 2 da NASA estabeleceram um novo recorde de distância da Terra em um voo espacial tripulado. A bordo da cápsula Orion, a tripulação superou o marco anterior durante sua trajetória de atração gravitacional lunar, que inclui um raro sobrevoo do lado oculto da Lua.
Superando um Marco Histórico
A equipe da Artemis 2, composta pelos astronautas norte-americanos Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, e pelo astronauta canadense Jeremy Hansen, iniciou seu sexto dia de voo espacial ouvindo uma mensagem gravada do falecido astronauta Jim Lovell, que participou das missões Apollo 8 e Apollo 13. Lovell os saudou com um 'Bem-vindos à minha antiga vizinhança', reconhecendo o dia histórico e a importância de apreciar a vista.
O novo recorde foi estabelecido ao ultrapassar 248.000 milhas (quase 400.000 km) da Terra, distância máxima alcançada em 1970 pela Apollo 13. Essa missão, que enfrentou um defeito quase catastrófico, utilizou a gravidade da Lua para garantir o retorno seguro da tripulação, incluindo Lovell. A Artemis 2 alcançaria, mais tarde, sua distância máxima de 252.755 milhas, superando o recorde da Apollo 13 em 4.117 milhas (6.626 km) após 56 anos.
Nomeação de Crateras e Homenagens
Durante a jornada, os membros da tripulação dedicaram tempo para atribuir nomes provisórios a características lunares sem designações oficiais. Em uma comunicação com o controle da missão em Houston, Jeremy Hansen sugeriu batizar uma cratera de 'Integrity', em homenagem à cápsula Orion. Outra cratera, visível no limite entre os lados oculto e visível da Lua, foi proposta para receber o nome 'Carroll', em memória da falecida esposa de Reid Wiseman.
Hansen expressou a emoção do momento ao descrever a cratera, um 'ponto brilhante na Lua', como uma homenagem a um ente querido perdido na 'família de astronautas' da missão. A iniciativa ressalta a conexão pessoal da tripulação com a exploração espacial.
O Sobrevoo do Lado Oculto da Lua
Conforme o planejado, a cápsula Orion navegaria em seguida ao redor do lado mais distante da Lua, observando-a a cerca de 4.000 milhas acima de sua superfície. Durante este percurso, a Terra apareceria do tamanho de uma bola de basquete ao fundo. O lado oculto da Lua, que sempre permanece voltado para longe do nosso planeta devido à sua rotação e órbita síncronas, tem sido visto diretamente por poucos humanos – apenas as tripulações das missões Apollo que orbitaram a Lua.
O sobrevoo levará a tripulação a breves apagões nas comunicações, pois a Lua bloqueará o contato com a Rede de Espaço Profundo da NASA. Durante as seis horas do sobrevoo, os astronautas utilizarão câmeras profissionais para capturar imagens detalhadas da Lua através das janelas da Orion, oferecendo uma perspectiva científica valiosa da luz solar filtrada em suas bordas.
O Futuro do Programa Artemis
Este marco na missão Artemis 2, o primeiro voo de teste tripulado do programa Artemis da NASA, representa um ponto crucial. Sucessor do projeto Apollo dos anos 1960-1970, a Artemis busca enviar humanos de volta às proximidades da Lua pela primeira vez em mais de meio século.
A série multibilionária de missões Artemis planeja levar astronautas à superfície lunar até 2028, visando estabelecer uma presença de longo prazo dos EUA no local. O objetivo é construir uma base lunar que sirva como campo de testes para futuras missões a Marte, retomando a exploração lunar tripulada, um feito alcançado pela última vez pelos EUA em 1972 com a missão Apollo final.
Perspectivas Celestes Únicas
A tripulação também terá a oportunidade de fotografar um momento raro: o planeta natal, ofuscado pela distância recorde no espaço, se pôr e nascer no horizonte lunar. Este 'remix celestial' do nascer da Lua, geralmente visto da Terra, proporcionará uma vista única. Uma equipe de dezenas de cientistas lunares no Centro Espacial Johnson da NASA em Houston fará anotações detalhadas sobre as observações.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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