A Divisão nos Estados Unidos Diante da Possibilidade de um Conflito Armado com o Irã

Este artigo explora a divisão nos Estados Unidos acerca de um cenário hipotético de guerra contra o Irã. Enquanto pesquisas de opinião indicavam que a maioria da população norte-americana era contrária a tal conflito, a elite política em Washington apresentava divergências significativas, e resoluções para deter o então presidente Donald Trump de iniciar uma guerra estavam em tramitação no Congresso.

Panorama Político e Legislativo

No âmbito político, os republicanos, partido de Trump, tendiam a apoiar ações contra Teerã, embora com divergências internas na base do movimento Make America Great Again (Maga). Já a maioria dos democratas questionava a legalidade de uma intervenção militar sem autorização explícita do Congresso, conforme exigido pela legislação do país.

Reações Populares e da Diáspora

Manifestações contra o potencial conflito foram registradas em algumas cidades norte-americanas, mas com participação limitada. Paralelamente, ocorreram nos EUA atos de comemoração pela morte do líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, especialmente entre comunidades da diáspora iraniana anti-regime.

Pesquisas de Opinião e a Posição Presidencial

Pesquisas de opinião revelaram uma clara oposição pública a uma guerra. Um levantamento da Reuters/Ipsos indicou que apenas 27% dos estadunidenses aprovavam os ataques contra Teerã. Outra pesquisa divulgada pela CNN/SSRS apontou que 41% da população aprovava os ataques, enquanto uma maioria de 69% os desaprovava.

O então presidente Donald Trump expressou desconsideração pelas pesquisas, afirmando ao New York Post que era imperativo "fazer a coisa certa" e que a ação "deveria ter sido feita há muito tempo."

Análise da Mídia Americana e Visões de Especialistas

A cobertura da mídia dos EUA sobre o tema apresentou grande oscilação. Enquanto alguns veículos apoiavam abertamente a guerra, outros criticavam a condução do conflito por Trump, mas elogiavam a meta de derrubar o regime iraniano, e outros ainda eram totalmente contrários a qualquer ação militar contra o Irã.

O professor Rafael R. Ioris, da Universidade de Denver, avaliou que a oposição interna nos EUA ainda não era significativa, concentrando-se nas vozes já críticas ao governo Trump, mas ressalvando que um aumento de mortes poderia intensificar as críticas. Ele também observou que a mídia, mesmo a crítica a Trump (como CNN e New York Times), adotava cautela para evitar acusações de falta de patriotismo, especialmente em um contexto em que os EUA são vistos por alguns como defensores da estabilidade ocidental, acima do direito internacional.

O professor James N. Green, da Universidade de Brown, destacou a existência de um setor minoritário, mas significativo, na base do movimento Maga que criticava a intervenção. Ele complementou que, embora o nacionalismo e a defesa das tropas fossem fatores, a maioria da população se opunha à intervenção.

Editoriais e Perspectivas de Veículos de Imprensa

Em seus editoriais, o New York Times classificou a ação como "imprudente" e criticou a falta de explicação estratégica e autorização congressional. Contudo, o jornal considerou "louvável" o objetivo de eliminar o programa nuclear iraniano, aceitando a premissa do Irã como ameaça internacional, e sugerindo que um presidente responsável poderia justificar ações com uma estratégia clara. Por outro lado, o Wall Street Journal defendeu a agressão, alertando contra um encerramento prematuro antes da "completa destruição" das forças iranianas e grupos terroristas. Michael Arria, do Mondoweiss, interpretou que, de forma geral, a mídia americana "declarou guerra ao Irã".

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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