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Brasil está entre os dez países que mais avançaram desde 2006, mas estudantes continuam abaixo da média da OCDE em matemática, leitura e ciências.

O Brasil conseguiu reduzir parte da distância que separa seus estudantes daqueles dos países mais desenvolvidos nas últimas duas décadas, mas os resultados do Pisa 2025 mostram que o país ainda enfrenta um desafio considerável para elevar a aprendizagem.

Os dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), divulgados nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), colocam o Brasil entre os países que mais avançaram desde 2006 nas três áreas avaliadas.

Na comparação internacional de evolução, o país aparece na 7ª posição em leitura e matemática e na 8ª em ciências, considerando uma lista de mais de 50 países.

O resultado positivo, entretanto, precisa ser analisado com cautela.

Apesar do avanço observado no período mais longo, as notas brasileiras de 2025 ficaram praticamente no mesmo nível das registradas em 2022. Além disso, o desempenho continua inferior à média da OCDE nas três disciplinas.

Brasil reduz distância em relação à OCDE

Os estudantes brasileiros alcançaram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências no Pisa 2025.

Quando os resultados são comparados aos de 2006, a redução da distância para a média da OCDE aparece nas três áreas.

Em leitura, a diferença caiu de 102 para 58 pontos. Em matemática, passou de 131 para 92 pontos. Em ciências, diminuiu de 113 para 77 pontos.

Os números mostram que houve uma aproximação no longo prazo, mas não significam que o Brasil já esteja próximo dos níveis de aprendizagem observados nas economias de melhor desempenho.

Matemática continua sendo um dos maiores desafios

Os dados de proficiência ajudam a mostrar o tamanho dessa dificuldade.

Apenas 28% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2 em matemática, considerado pelo Pisa um patamar básico de proficiência. Na média da OCDE, esse percentual chegou a 65%.

Nos níveis mais elevados de matemática — níveis 5 ou 6 — praticamente nenhum estudante brasileiro alcançou o desempenho esperado, enquanto a média da OCDE foi de 8%.

Em ciências, aproximadamente 48% dos brasileiros chegaram ao nível 2 ou superior, contra 74% na média da OCDE.

Em leitura, 49% alcançaram pelo menos esse nível, enquanto a média da organização foi de 69%.

Isso significa que a discussão sobre o Pisa não pode ficar restrita à posição brasileira em um ranking. Uma questão central é quantos jovens conseguem utilizar aquilo que aprenderam para interpretar textos, resolver problemas e compreender situações científicas do cotidiano.

Avanço de longo prazo não significa melhora recente

Esse é um dos pontos mais importantes para interpretar corretamente os resultados divulgados nesta terça-feira.

Quando a comparação começa em 2006, o Brasil apresenta uma evolução relevante em relação a diversos participantes.

Quando o recorte é mais recente, entretanto, o cenário muda.

Segundo a OCDE, as médias brasileiras de 2025 ficaram praticamente iguais às de 2022 em matemática, leitura e ciências. A organização observa ainda que os resultados permaneceram próximos dos níveis registrados nas avaliações realizadas desde 2015.

Portanto, é possível dizer que o país reduziu sua distância no longo prazo, mas também enfrenta atualmente um período de relativa estagnação nos indicadores.

Desigualdade socioeconômica aparece dentro da sala de aula

O Pisa também revelou uma diferença expressiva relacionada às condições socioeconômicas dos estudantes.

No Brasil, os 25% de alunos em situação socioeconômica mais favorecida superaram os 25% menos favorecidos em 96 pontos em ciências.

Na média dos países da OCDE, essa diferença foi de 85 pontos.

Entre 2015 e 2025, a desigualdade de desempenho entre esses dois grupos aumentou no Brasil. O desempenho dos estudantes favorecidos melhorou, enquanto o resultado dos estudantes em situação desfavorável permaneceu estável.

O dado reforça um problema histórico da educação brasileira: melhorar a média nacional não depende apenas do currículo ou das escolas, mas também da capacidade de reduzir desigualdades que afetam as condições de aprendizagem.

Alunos que valorizam a escola apresentam desempenho melhor

O levantamento também investigou como os estudantes enxergam a própria educação.

No Brasil, aqueles que percebem maior valor na escola e discordam da ideia de que estudar seja uma perda de tempo apresentaram desempenho em ciências 35 pontos superior ao dos estudantes com percepção oposta.

Na média da OCDE, essa diferença foi de 27 pontos.

O dado não significa que simplesmente gostar da escola seja responsável pela diferença de desempenho. Diversos fatores sociais, familiares e educacionais interferem na aprendizagem.

Ainda assim, o resultado mostra uma associação importante entre envolvimento com a educação e desempenho escolar.

Professores recebem avaliação positiva, mas indisciplina preocupa

Outro conjunto de dados oferece uma visão interessante sobre o cotidiano das escolas brasileiras.

Segundo os estudantes, 82% afirmaram que seus professores demonstram interesse pela aprendizagem de cada aluno na maioria das aulas de ciências. Na média da OCDE, o percentual foi de 69%.

Além disso, 78% disseram que os professores continuam ensinando até que os alunos compreendam o conteúdo.

Por outro lado, o ambiente das aulas ainda apresenta dificuldades.

Cerca de 44% dos estudantes brasileiros relataram que barulho e desordem interrompem a maior parte ou todas as aulas de ciências, percentual superior aos 31% registrados na média da OCDE.

E 25% disseram não conseguir trabalhar bem na maioria ou em todas as aulas da disciplina.

Faltas também chamam atenção

Um dos resultados mais preocupantes está relacionado ao absenteísmo.

Cerca de 55% dos estudantes brasileiros disseram ter faltado pelo menos um dia de aula nas duas semanas anteriores à aplicação do Pisa.

Na média da OCDE, esse percentual foi de 22%.

Além disso, 53% dos brasileiros relataram ter perdido pelo menos uma aula no mesmo período.

Embora esses dados sejam baseados nas respostas dos próprios estudantes e precisem ser interpretados dentro do contexto de cada sistema educacional, a diferença chama atenção para um problema que vai além do conteúdo ensinado: o estudante precisa estar efetivamente presente para aprender.

Entenda o que é o Pisa

O Pisa avalia estudantes de aproximadamente 15 anos e procura medir mais do que a capacidade de memorizar conteúdos.

As questões analisam se os jovens conseguem aplicar conhecimentos e habilidades para solucionar problemas e enfrentar situações do cotidiano.

Em 2025, ciências foi a principal área da avaliação, enquanto matemática e leitura foram domínios secundários.

A edição também incluiu uma avaliação relacionada à aprendizagem no mundo digital e à resolução de problemas utilizando ferramentas computacionais.

Ao todo, mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias participaram da edição de 2025.

No Brasil, foram avaliados 30.140 estudantes de 1.053 escolas, representando aproximadamente 2,18 milhões de jovens de 15 anos. As provas brasileiras foram realizadas entre abril e maio de 2025.

O que os resultados dizem sobre a educação brasileira?

O Pisa 2025 permite duas conclusões que podem parecer contraditórias, mas não são.

A primeira é positiva: quando observado um período de quase duas décadas, o Brasil conseguiu reduzir a distância em relação à média das economias desenvolvidas.

A segunda funciona como alerta: o desempenho recente praticamente não avançou e uma parcela elevada dos estudantes ainda não alcança níveis básicos de proficiência, principalmente em matemática.

O desafio agora é transformar a evolução de longo prazo em melhoria consistente dentro das salas de aula — especialmente para os estudantes socialmente mais vulneráveis.

Mais do que subir posições em comparações internacionais, o objetivo central continua sendo garantir que os jovens brasileiros terminem a educação básica sabendo interpretar informações, raciocinar matematicamente e utilizar conhecimentos científicos diante dos problemas que encontrarão fora da escola.


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Fonte e créditos: matéria elaborada pelo Linha Direta News com dados oficiais do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa 2025), divulgados pela OCDE e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

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